Há mais de 150 anos, Charles Darwin sugeria que os humanos “e os animais superiores, especialmente os primatas” partilhavam emoções complexas, como a gratidão. Largada a bomba, o naturalista britânico seguia por ali fora, a enumerar os comportamentos que acreditava serem paralelos: “Praticam o engano e são vingativos; são, por vezes, suscetíveis de serem ridicularizados e até têm sentido de humor; sentem admiração e curiosidade; possuem as mesmas faculdades de imitação, atenção, deliberação, escolha, memória, imaginação, associação de ideias e razão, embora em graus muito diferentes.”
Nesse ano de 1871, em que publicou A Origem do Homem e a Seleção Sexual (The Descent of Man and Selection in Relation to Sex, no original), Darwin estava careca de saber que as suas teorias eram habitualmente recebidas com narizes torcidos. O que não adivinhava é que seria preciso esperar pelo século XXI para os investigadores admitirem que poderia estar certo, pelo menos quanto à gratidão, e cada vez mais convencidos do papel dela na evolução e na sobrevivência do Homem.
