Markus Turker – o homem que as autoridades portuguesas apontam ter ligações à Máfia Síria – foi, esta terça-feira, condenado pelo Tribunal de Setúbal a 20 anos e sete meses de prisão pelo homicídio à facada de Tiago Danu, no dia 27 de novembro de 2022. Turker terá ainda de pagar uma indeminização de 180 mil euros à família da vítima.
Recorde-se que a VISÃO, na edição de 18 de maio, contou a história da presença da Máfia Síria em Portugal. A organização, que, nos últimos anos, passou a controlar parte da atividade criminosa nos portos de Antuérpia (na Bélgica) e de Roterdão (nos Países Baixos) – as principais “portas de entrada” de drogas no continente europeu –, tem, segundo fontes policiais, marcado presença em território nacional, depois de se ter associado a grupos criminosos (principalmente originários de Marrocos), dedicados ao tráfico internacional de cocaína, haxixe e heroína, via portos marítimos nacionais.
A Máfia Síria atua com “uma violência extrema (…). São pessoas que matam por dez cêntimos”, admitiu, à VISÃO, fonte da PJ.
O facto de muitos dos membros da Máfia Síria serem “filhos” da diáspora daquele país, muitos deles de segunda geração, já nascidos na Europa (e com cidadania europeia), permite que a sua movimentação pelo espaço Schengen não careça de nenhum protocolo de controlo por parte das autoridades portuguesas. O que dificulta a localização e identificação dos seus membros.
No âmbito do artigo, publicado a 18 de maio de 2022, fonte da Polícia Judiciária chegou a dizer à VISÃO que “estes grupos de sírios e marroquinos são, neste momento, a grande preocupação” daquela polícia. “Estamos a falar de pessoas que matam por dez cêntimos…”, admitia a mesma fonte.
Danu: no lugar errado e à hora errada
A morte de Tiago Danu, então com 20 anos, foi uma cruel partida do destino. Markus Turker e Deniel Altynkya, este de nacionalidade turca, tinham aterrado em Lisboa, há poucos dias, com a missão de “assegurar” e “controlar” atividades ligadas ao tráfico internacional de droga no porto de Setúbal, acreditam as autoridades portuguesas.

Um destes homens, porém, perdeu a carteira e a mesma foi parar às mãos de outro jovem de Setúbal, que, alegadamente, terá utilizado um cartão bancário para efetuar compras em diferentes espaços de um centro comercial e num posto de combustível daquela cidade. Os dois homens da Máfia Síria não perdoaram e foram no seu encalço.
Não se sabe como, mas Markus Turker e Deniel Altynkya terão tido acesso às imagens de videovigilância do centro comercial, o que lhes permitiu identificar e localizar um dos amigos do jovem procurado, a quem passaram a exigir que desse informações sobre identificação e paradeiro do alvo.
Infeliz coincidência, no momento em que seria confrontado, na zona do Monte Belo Norte, em Setúbal, o jovem coagido estava na companhia de mais dois amigos, e Tiago Danu era um deles. Perante a ameaça de rapto, o jovem português acorreu em auxílio do amigo, mas seria esfaqueado no abdómen. O golpe seria fatal para o português (com ascendência moldava), que era estudante na área de energias renováveis, trabalhava na empresa de trabalho temporário da Autoeuropa e já tinha feito serviços como modelo.
Markus Turker seria detido ainda em Lisboa e Deniel Altynkya, já em Estocolmo (seria extraditado para Portugal). Turker foi condenado a 20 anos e sete meses de prisão. Altynkya – que, entretanto, seria libertado pelo tribunal antes da acusação ser deduzida – encontra-se agora em parte incerta e é arguido noutro processo, em que responde pelo sequestro de Tiago Danu.