Antes que se esqueça, Francisco Seixas da Costa pôs em livro as suas memórias recolhidas ao longo de quase 40 anos de vida diplomática. A sua memória continua, no entanto, prodigiosa. Nesta conversa distendida com a VISÃO, atravessou tempos e geografias diferentes, partilhando histórias, curiosidades e episódios, juntando a sua perspetiva sobre a evolução da política nacional e internacional. Sobre os dias de hoje, porém, o tom foi pessimista. “Se calhar é da idade, mas acho que esta deriva autoritária e securitária é algo inelutável”, sublinha.
Desde que deixou de ser embaixador no ativo, tem mantido uma intensa atividade como comentador. O que o move?
É uma boa pergunta, até porque já tive várias oportunidades para parar completamente e não fazer rigorosamente mais nada. Mas, conhecendo-me, a sensação que tenho é que parar é morrer. E eu continuo a ter sempre uma grande curiosidade sobre tudo, estou sempre à procura de novas coisas. Não procuro visibilidade, mas alimento, sim, a capacidade de me continuar a surpreender, todos os dias. E, para poder comentar, tento manter-me constantemente informado. Nesta área do internacional, desde que tenhamos um quadro de referência básico, a atualização torna-se relativamente mais fácil.
