Antes de começarmos a ler este texto, voltemos uma página atrás, para nos fixarmos na fotografia icónica que abre estas páginas. Mesmo quem não sabe apreciar as maravilhas técnicas, o jogo de luz e sombra ou a distribuição dos elementos na imagem, consegue apreender a tristeza estampada no rosto, as roupas invernosas, o chapéu de feltro, a mala que serve de banco para apaziguar a expectativa, a cadeira de lona fechada (já lá iremos) e o marco do correio numerado, vermelho, mesmo que ainda não houvesse fotografias a cores.
Sabemos hoje que o retrato, muito mais do que um retrato na verdade, é de 1940. E sabemo-lo graças à investigação a que o jornalista Ferreira Fernandes se dedicou no último ano, na senda de apurar quem fora Roger Kahan, o habilíssimo fotógrafo que passou por Portugal nesse ano e que deixou para trás uma série de imagens importantes, tal como podemos observar nas páginas deste artigo.
