A comissão independente que está a estudar os abusos sexuais de menores na Igreja Católica deverá apresentar o relatório final a 16 de fevereiro de 2023, o que poderá afetar os preparativos da vinda a Portugal do Papa Francisco e de toda a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), uma organização que envolve um orçamento de quase 80 milhões de euros e é vista como a maior operação levada a cabo pela Igreja portuguesa, nos últimos anos.
O impacto social e político da questão dos abusos sexuais é de tal maneira relevante para a imagem da Igreja que o próprio cardeal-patriarca, Manuel Clemente, quando se viu envolvido num alegado caso de encobrimento, terá manifestado, em agosto de 2022, em audiência privada com o Papa, a disponibilidade para renunciar ao cargo. Inicialmente prevista para 31 de janeiro, a apresentação pública das conclusões da comissão coordenada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht foi concertada com a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), liderada por José Ornelas, o bispo que, há cerca de um ano, teve a iniciativa de constituir uma comissão exterior à Igreja que trabalhasse fora do âmbito das comissões já criadas pelas dioceses. Apesar da “tolerância zero” defendida pelo Papa Francisco, no entender de alguns bispos e de determinados setores mais conservadores, a forma como os abusos sexuais têm sido discutidos publicamente prejudica a autoridade moral da instituição.
