A detenção ocorreu em Altea, Alicante, no sudeste de Espanha, onde, segundo um dos últimos relatórios da Europol, não abrandaram as operações de propaganda global do Estado Islâmico (EI) – e é a segunda só este ano, depois de, em julho, também na mesma província espanhola, a polícia ter encontrado um jovem obcecado com aquela organização terrorista, que passava dia e noite fechado no seu quarto, a transmitir material audiovisual que exaltava o EI.

Desta vez, o comunicado da Guardia Civil anuncia a detenção de um homem de 50 anos que estava a tomar “medidas de segurança intensas e ativas para impedir a sua localização ou localização na Internet”, ao mesmo tempo que procurava, pelas redes sociais, “possíveis alvos de recrutamento”. A metodologia era sempre a mesma: propunha continuar a conversa em “aplicações de mensagens privadas”, de forma a “aprofundar os processos de radicalização” e fornecer-lhes “conteúdos digitais com a típica assinatura do EI.
“Uma vingança de Alá contra os infiéis”
Tinha sido também no início do verão que aquele grupo terrorista fez divulgar, através dos seus canais de comunicação próprios, que a Covid-19 era “a vingança de Alá contra os infiéis”, ao mesmo tempo que pedia mais tortura. No seu entender, era uma resposta aos “bombardeamentos contra os fiéis” em Mossul, no Iraque, e na Al-Baguz, na Síria, onde mantêm califados. Sem mencionar explicitamente a quem se referiam, as palavras do porta-voz do EI, Abu Hamza al-Qurashi, não deixavam margens para dúvidas. “Estamos felizes com a tortura do deus supremo (…) e pedimos-lhe mais tortura (…) a menos que [os infiéis] optem pelo caminho da fidelidade”. Era uma mensagem de áudio, de 40 minutos, e foi divulgada no momento em que se intensificavam os ataques contra posições do grupo naqueles países.
Era uma adenda ao discurso de março, quando o grupo partilhou recomendações para enfrentar a pandemia. Uma delas era obviamente “ter fé” – afinal, como também repetia o mais recente detido em Alicante, nas muitas mensagens que enviava para atraír novos combatentes para o EI, a Covid-19 não é mais do que “um castigo contra o ocidente”.