A carrinha do pão e as aldeias onde parámos para a venda porta-a-porta, em 35 fotografias
O dia de António Costa Dias, 49 anos, começa às três da manhã, quando vai à fábrica, em Cardigos, encher a carrinha Citroën de pães e bolos para distribuir José Carlos Carvalho
Mesmo estando sozinho, Manuel Alves assume que come muito, por isso precisa de dose reforçada até depois da Páscoa José Carlos Carvalho
Luís Aleixo, 65 anos, é o único taxista de Carvoeiro. Há semanas que não tem trabalhoJosé Carlos Carvalho
Não está ninguém em casa? O pedido fica no saco, ao lado do dinheiro e o pão há de lá ir pararJosé Carlos Carvalho
Maria Elvira, 71 anos, enche-se de pão para os próximos dias e ainda pede um duro para fazer sopas de peixeJosé Carlos Carvalho
Luís Vicente está na região a trabalhar numa obra e aproveita a passagem da carrinha para comprar um pão com chouriço que lhe mata a fome imediatamente e ainda leva mais uns para comer depoisJosé Carlos Carvalho
Agora, António não pode entrar no Centro Social São João Baptista, por isso os pedidos ficam todos dentro deste saco pendurado ao portãoJosé Carlos Carvalho
Maria Hermínia, 61 anos, é das poucas que usa máscara na freguesia. Aqui à porta do mini-mercado onde foi fazer as compras para o almoçoJosé Carlos Carvalho
Transação completa por cima do muro - há que manter as distâncias com o distribuidor, como se aconselha nos papéis que António tem colados na carrinha de transporte José Carlos Carvalho
O café do Joaquim só abre para vender tabaco, quando alguém lhe telefona. Aqui está o dono, aviado de pão, a receber o dinheiro de António Dias para um GiganteJosé Carlos Carvalho
Deolinda Esteves volta para casa, bem abastecida - António só voltará à travessa do Espírito Santo daqui a cinco diasJosé Carlos Carvalho
Só à segunda tentativa, António consegue equilibrar o pão em cima do muro da casa de João SalgueiroJosé Carlos Carvalho
António também vende farinha tendeira (aquela que sobra da cozedura do pão), a €7 euros cada 30 quilos. É boa para os animaisJosé Carlos Carvalho
Fernanda Mendes, 62 anos, vem comprar pão para o neto, pois ele não come do outro que ela cozeJosé Carlos Carvalho
Filipe Salgueiro nem sai da varanda, para assegurar escasso contacto com António DiasJosé Carlos Carvalho
Manuela Duque, 43 anos, auxiliar de ação educativa na escola local, é a mais nova habitante de CarvoeiroJosé Carlos Carvalho
Manuel Domingues, 65 anos, à distância, como mandam as autoridades de saúdeJosé Carlos Carvalho
Maria do Rosário vive bem isolada. Vale-lhe o pão que lhe chega à porta, à segunda, quarta e sextaJosé Carlos Carvalho
Paula Silva, 54 anos, refugiou-se na aldeia quando isto começou, e passou a viver com o marido na casa ao lado da sogra. Agora que a situação nunca mais muda, já está farta de aqui estarJosé Carlos Carvalho
Quando não há portão onde se deixar o saco, opta-se por uma árvore, mesmo que, por vezes, os galhos sejam fracos para tanto pãoJosé Carlos Carvalho
Ora são dois pacotes de 5 quilos para a Ti Fernanda, que ela precisa para cozer o seu pãoa viver com o marido na casa ao lado da sogra
Augusto e Augusta, na casa dos 70, partilham a quarentena com a filha e o netoJosé Carlos Carvalho
As aldeias sucedem-se, quase sem se dar por elas. Mas há sempre quem espere pela passagem da carrinha do pão, como a senhora AlbertinaJosé Carlos Carvalho
No largo da Eira, em Balancho, há fila para o pãoJosé Carlos Carvalho
Maria de Jesus, 69 anos, estava sentada neste banco de madeira improvisado, à espera da mercadoria que António transporta e vendeJosé Carlos Carvalho
Os pedidos escrevem-se, muitas vezes, a esferográfica num papelinhoJosé Carlos Carvalho
"Ai, não posso estar de pé", queixa-se Maria Dias, aos 80 anosJosé Carlos Carvalho
Teresa, 80 anos, está especialmente triste, porque lhe roubaram a visita habitual dos filhos na PáscoaJosé Carlos Carvalho
A maioria das vezes, os clientes cumprimentam e despedem-se de António com afeto, mandando cumprimentos para a mãeJosé Carlos Carvalho
Como faz esta rota há mais de dois anos, António já conhece de cor as encomendas, mesmo aquelas em que nem contacta com as pessoasJosé Carlos Carvalho
Olinda está quase a fazer 51 anos e vai passá-los neste isolamento a que já está habituadaJosé Carlos Carvalho
O cão já sabe que António vai passar por aqui e põe-se logo a jeito para o bocado de pão que ele sempre lhe dáJosé Carlos Carvalho
Última aldeia da manhã: Maxieira, freguesia de Carvoeiro, concelho de MaçãoJosé Carlos Carvalho
"Se for possível, quero 3 pães e uma broa". É assim que António remata a rota dos particulares, ao fim de 33 entra-e-saiJosé Carlos Carvalho
Lá vai ele, de regresso a Cardigos, para fazer as contas aos 140 euros que vendeu e largar a carrinha. Pela uma, estará sentado a almoçar com a mãe, na aldeia de Parcana, onde só vivem os doisJosé Carlos Carvalho
A carrinha do pão e as aldeias onde parámos para a venda porta-a-porta, em 35 fotografias
Andámos atrás de António Dias, distribuidor de pão e bolos, pelas terras mais isoladas. no concelho de Mação. Parámos 33 vezes, num entra-e-sai constante, para abrir a porta traseira da carrinha e servir os clientes habituais
São dias longos, estes de António Costa Dias, 49 anos, a vaguear pelo concelho de Mação. Começam quando a maioria ainda dorme e a manhã não nasceu, a deixar o pão nas lojas e grandes superfícies. Depois, pelas oito, e já com luz, inicia a rota das aldeias, para chegar às pessoas mais isoladas.
Mesmo que muitos cozam o seu pão a lenha, nas 21 aldeias da freguesia de Carvoeiro, há sempre quem queira comprar à padaria de Cardigos, nem que seja para não desperdiçar esta oportunidade de convívio – ainda que agora as distâncias tenham de ser maiores.
Veja as fotos, uma por cada paragem de António – 33 no total da manhã, que acabou perto do meio-dia. A reportagem completa está disponível na edição desta semana da VISÃO.
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