Água gratuita em todos os edifícios públicos e restaurantes, aumentar os impostos sobre os alimentos menos saudáveis ou proibir a publicidade à fast-food são algumas das propostas da médica britânica Sally Davies para ajudar a diminuir a obesidade em Inglaterra, sobretudo junto das crianças e adolescentes.
Uma das sugestões mais polémicas do seu último relatório, enquanto Chief Medical Officer (uma espécie de diretora-geral da saúde), é a proibição de comer nos transportes públicos, como forma de combater o consumo de snacks pouco saudáveis.
As únicas exceções admitidas a bordo seriam água, a amamentação e a comida de passageiros com problemas de saúde.
A médica também propõe que a legislação dificulte a abertura de restaurantes fast-food, que todas as escolas e jardins-de-infância só disponibilizem água e leite aos alunos ou que as embalagens da comida pouco saudável sejam diferenciadas, entre outras sugestões.
Desde o ano passado, as bebidas açucaradas têm um imposto mais elevado em Inglaterra – à semelhança do que acontece em Portugal desde 2017 – o que contribuiu para a redução do consumo deste tipo de produtos em um quinto. Razão invocada pela médica de 69 anos para justificar o agravamento dos impostos sobre outros alimentos com excesso de açúcar, sal ou gordura.
De acordo com um estudo do think-tank britânico The King’s Fund, cerca de dois terços dos inquiridos concorda com o aumento dos impostos sobre os produtos com mais açúcar e também com restrições à publicidade de fast-food.
Razões para agir
Sally Davies defende que, tal como os governos protegeram as crianças de trabalharem nas minas, agora têm de as proteger da má alimentação.
Inglaterra estabeleceu o objetivo de, até 2030, diminuir para metade os números atuais da obesidade.
Nos últimos trinta anos, a percentagem de crianças obesas no país quadruplicou. Em 1990, apenas 5%, entre os 10 e os 11 anos, eram obesas. Já em 2017/2018, cerca de 16% das crianças com a mesma idade eram obesas e 4% severamente obesas.
A desigualdade social também tem um forte impacto no excesso de peso. As crianças residentes em zonas mais pobres têm o dobro da probabilidade de sofrerem de obesidade do que aquelas que vivem em áreas com maior rendimento per capita.
A obesidade está associada a doenças cardiovasculares, à diabetes tipo 2 e ao cancro.
Esta semana, em Portugal, a Direção-Geral da Saúde lançou uma campanha nas redes sociais com alertas sobre a alimentação da população portuguesa.
As crianças entre 1 e 6 anos de idade, por exemplo, consomem o quádruplo da proteína recomendada, enquanto uma em cada três crianças portuguesas tem excesso de peso.
A nível nacional, 7,7% dos menores de 10 anos são obesos, 8,7% dos adolescentes (10 aos 17 anos) também, assim como 21,6% dos adultos.