Um estudo desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Contraceção e a de Ginecologia, no primeiro semestre de 2015, revela que apenas 6% das mulheres em idade reprodutiva dispensa qualquer contracetivo. O que não quer dizer que todas os usem corretamente. No mesmo inquérito, chegou-se à conclusão que só 7,9% recorria à dupla contraceção (um método + preservativo) e que a maioria se encontrava entre as mais jovens (15-19 anos).
Apesar de 87% das inquiridas ter ouvido falar da pilula do dia seguinte, apenas 17% assumiram que já recorreram a ela. “Até poderia ser uma boa notícia, se não houvesse registos de casos de interrupção da gravidez”, nota Ema Paulino, presidente da secção regional de Lisboa da Ordem dos Farmacêuticos. Mas os númeors ainda chegam aos 16 mil, embora tenham decrescido em dois mil casos desde 2007, ano em que a interrupção voluntária da gravidez até à décima semana foi legalizada.
Até abril deste ano, a pílula do dia seguinte, ou contraceção de emergência, deveria ser aviada com receita médica, na farmácia. Depois de 3 milhões de mulheres terem recorrido a ela em toda a Europa, saiu finalmente uma norma europeia para a sua venda livre, mantendo-se a exclusividade para as farmácias. “É uma oportunidade de aconselhamento e reflexão sobre a contraceção e as doenças sexualmente transmissíveis”, realça Ema Paulino, adiantando que os farmacêuticos têm tido formação para isso e que esperam, já para a semana, receber uma norma nacional para ajudá-los a lidar com esses pedidos ao balcão.
Os farmacêuticos devem saber explicar, por exemplo, que existem dois princípios ativos diferentes e três produtos à venda no mercado nacional. O acetato de ulipristal garante a eficácia até 120 horas (5 dias), enquanto que o levonorgestrel se fica pelas 72 horas (3 dias). No entanto, no caso de a mulher estar a amamentar, este último princípio ativo obriga a extrair o leite durante menos dias do que o ulipristal. São dúvidas como estas que são impossíveis de esclarecer se a pílula estivesse nas prateleiras do supermercado.
Verdadeiro ou falso
É um método abortivo – Falso
“A contraceção oral de emergência atua na fase pré-ovulatória inibindo ou atrasando a libertação do óvulo. Quando não há ovulação, não há gravidez”, esclarece Teresa Bombas, presidente da sociedade portuguesa da contraceção.
Posso tomar esta pilula todos os meses – Falso
A utilização deste tipo de contraceção deve ser ocasional e excecional. “Ela não protege de doença sexualmente transmissíveis nem deve substituir os métodos de contraceção regulares”, garante Isabel Martins, ginecologista
Se tomar a pílula do dia seguinte posso ficar infértil – Falso
O retorno à fertilidade é imediato, dado que com esta toma apenas se atrasa uns dias a ovulação.
Se tomar a pílula do dia seguinte já não engravido nesse mês – Falso
É imprescindível que se continue a usar contraceção, porque a toma não vai prevenir futuras gravidezes.
Se já estiver grávida quando tomar esta pílula, o meu bebé vai nascer com malformações – Falso
Os dados disponibilizados pela evidência científica não sugerem nenhuma preocupação com o desenvolvimento do feto.
Se já estiver grávida quando tomar esta pílula vou abortar – Falso
Se a ovulação já tiver ocorrido, a contraceção de emergência perde a eficácia.