“Ofensas, berros, ameaças, perseguições e ilegalidades.” É assim que uma denúncia anónima descreve a forma como estarão a ser tratados os trabalhadores da Assembleia da República desde que, há cerca de um ano e meio, tomaram posse a nova secretária-geral, Anabela Cabral Ferreira, e o seu adjunto, Hugo Tavares. A carta que descreve os alegados abusos fala num clima de medo e perseguição e em saídas que, nalguns casos, aconteceram por reforma antecipada, demissão ou transferência, mas que, segundo este relato, terão sempre sido consequência de assédio moral no trabalho. A VISÃO recolheu vários testemunhos que, falando sob condição de anonimato por temerem represálias, confirmam o ambiente descrito na queixa que chegou às mãos do Presidente da Assembleia da República (PAR), José Pedro Aguiar Branco, dando origem a uma auditoria na qual foram testemunhas algumas das fontes ouvidas para esta peça, mas cujo desfecho ainda não é conhecido.

“Tem sido inenarrável. Gritos, ameaças, comportamentos inéditos nesta casa, que não é uma instituição qualquer. É o Parlamento”, indigna-se uma funcionária parlamentar, que confirma ter sido ouvida pelo auditor jurídico da Assembleia da República no âmbito desta auditoria. A trabalhadora afirma ter sofrido pressões e ameaças para apresentar a demissão do seu lugar de chefia e garante que reportou não só o seu caso, mas os de outros colegas que afirma terem passado por situações semelhantes, sendo que alguns deles entretanto já deixaram de trabalhar no Parlamento. Segundo a mesma fonte, o auditor jurídico fez várias “maratonas de audições até às 21h” para ouvir as queixas de alguns funcionários cujos casos são descritos na denúncia anónima e que foram chamados a pronunciar-se na auditoria. “As pessoas estavam lá quatro a cinco horas só para serem ouvidas, porque tinham muita coisa para dizer.”
