Os anos que passou à frente da Polícia Judiciária fizeram Luís Neves perceber bem como se trata da comunicação e ter uma boa relação com os jornalistas. Mas isso não quer dizer que Neves corra em pista própria enquanto ministro, nem sequer quando há uma gestão de crise de comunicação a fazer. Toda a resposta do seu ministério às notícias sobre as acusações feitas por António Pombeiro, o agora ex-secretário-geral adjunto do MAI, contra o homem que o Governo escolheu para liderar o SIRESP, foi concertada com o gabinete do primeiro-ministro.
Luís Neves está agora a preparar a audição parlamentar, pedida pelo Chega e pela IL, com uma resposta que, ponto por ponto, sossegue as dúvidas levantadas por Pombeiro sobre os anos em que Paulo Viegas Nunes esteve à frente do SIRESP por indicação do PS, entre 2022 e 2023. Um dos pontos que, sabe a VISÃO, o ministro deverá esclarecer, tem que ver com um contrato com a mulher de Carlos Leitão, um antigo diretor operacional do SIRESP. Neves deverá explicar que Leitão – que se tinha desvinculado do organismo para ir para o privado – só acedeu a fazer o trabalho em causa por ser o único com a certificação válida para essa tarefa (o contrato seria fechado por 12 mil euros, o processo de uma nova certificação rondava os 100 mil), tendo sido procurado precisamente para poupar tempo e dinheiro ao Estado. O contrato acabaria, contudo, por ficar sem efeito quando ficou claro que podia configurar uma irregularidade à luz das regras da contratação pública.

