O Governo andou dois meses a cozinhar o PTRR, mas ainda há pontas soltas. Depois do comboio de tempestades que devastou o centro do País, começaram as reuniões de levantamento dos prejuízos causados. Todos os ministros foram chamados a contribuir. E a 13 de fevereiro Luís Montenegro usava pela primeira vez a expressão PTRR, reciclando o nome da chamada “bazuca” dos tempos de António Costa, o PRR, que acaba este ano e cuja execução ainda está muito atrasada (pelas últimas contas, anda pelos 61%). O plano tinha sido anunciado para o início de abril, mas só foi apresentado no dia 28 e ainda com muitas coisas por decidir.

Uma delas tem que ver com a polémica desencadeada pelo anúncio de que os seguros contra catástrofes passariam ser obrigatórios em todo o País e em todos os imóveis. “O Estado pagar tudo, a todos, a todo o tempo. Isso simplesmente não existe. Isso não é sustentável”, justificou-se o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na apresentação do programa que, foi lembrando, “não é um programa fechado” e pode ir sofrendo ajustes. Poucas horas depois, uma fonte do Governo alertava a VISÃO para o facto de que talvez os seguros obrigatórios fossem apenas para primeiras habitações. “Não está fechado ainda”, avisava a mesma fonte, remetendo mais informações para um decreto, a ser concluído “em breve”, que ainda há de regulamentar a medida e no qual também se definirão os critérios que serão considerados para a atribuição dos já anunciados apoios a quem não tenha condições económicas para fazer estes seguros.
