Investigação criminal, crime violento e organizado, terrorismo, extremismo violento, sequestro, tomada de reféns e raptos, tráfico de armas ou de seres humanos, crimes contra órgãos de soberania: eis o raio de ação e experiência de Luís Neves, licenciado em Direito e novo ministro da Administração Interna, cargo para o qual transita diretamente da direção da Polícia Judiciária.
Luís Neves, apesar do currículo no terreno e nos teatros de operações, tem um perfil bastante “político”, sobretudo, na forma hábil como gere a informação e como comunica. E a noção política e o sentido de comunicação tem sido um dos principais problemas no MAi, desde os governos de António Costa. A propósito, Luís Neves foi nomeado para diretor da PJ precisamente pelo primeiro Governo de Costa, em 2018. A sua postura desassombrada, na forma como, reiteradamente, desconstruíu algumas narrativas sobre a perceção da cirminalidade, bem como sucessivas ações de desmantelamento de grupos de extrema direita, coloca-o como um nome particularmente bem aceite pelos círculos moderados da oposição e dá a garantia de rigor e de respeito por direitos liberdades e garantias, no exercício do novo cargo. Mas ele aceita o lugar numa altura em que decorre uma investigação da PJ, relacionada com a casa de Espinho, de Luís Montenegro, o que confere um potencial de alegado conflito de interesses e de polémica à nomeação.
O nome já foi aprovado pelo Presidente da República e a tomada de posse está marcada para esta segunda-feira, às 10 horas da manhã.