.
António José Seguro acabou o debate como começou: a tentar apresentar-se como o candidato da união do País, com o cuidado de não hostilizar ninguém, nem sequer o eleitorado do Chega. Sem empolgar nem esmagar, Seguro venceu o debate, em temas em que era suposto Ventura brilhar.
Depois de Ventura entrar ao ataque, citando Cavaco e Soares, que no passado consideravam Seguro “inseguro” e incapaz de decidir, o candidato apoiado pelo Chega acabou por perder gás quando o socialista o confrontou com a proposta que apresentou enquanto líder do PS para o enriquecimento ilícito.
Apanhado na curva, Ventura concordou com alguns aspetos da proposta. E acabou por perder a discussão.
Seguro também foi mais eficaz quando lembrou que podia ter recebido 300 mil euros de subvenções vitalícias, mas prescindiu delas e foi trabalhar.
Outro momento decisivo foi quando André Ventura sustentou a tese da importância de rever a Constituição para alterar as nomeações para alguns cargos. O único exemplo que lhe ocorreu, quanto confrontado com Seguro, foi o do Procurador-Geral da República (PGR). Ventura parecia não estar preparado para responder que modelo de nomeação preferia e acabou por defender um PGR nomeado por decisão “corporativa”.
Com um Ventura muito mais calmo do que o habitual, Seguro não foi eficaz a mostrar porque é que o líder do Chega será um perigo para a democracia em Belém.
Seguro também teve momentos menos felizes como aquele em que ofereceu o Palácio de Belém para que os partidos se reunissem ou quando deu respostas pouco concretas para os problemas do País que diagnosticou.