A passagem à segunda volta das presidenciais de António José Seguro e André Ventura deixa Luís Montenegro num exercício de equilibrismo difícil. Montenegro traçou as linhas que o dividem de Seguro, considerando que está “à esquerda” do PSD, e de Ventura, que está “à direita” do seu partido. “A conclusão que o PSD tira desta eleição é que o seu espaço político não estará representado nesta segunda volta”, disse na noite eleitoral, numa intervenção pensada para sacudir de cima de si a pesada derrota do candidato que apoiou, Luís Marques Mendes (que se ficou pelo quinto lugar, com 11,30% dos votos). Mas a sombra do mau resultado de Mendes será talvez o menor dos problemas de Montenegro, que vê André Ventura a tentar afirmar-se como líder de toda a direita, ao mesmo tempo que várias figuras sociais-democratas se apressam a anunciar o apoio público a António José Seguro.


As presidenciais podem ter deixado cicatrizes profundas no PSD, cuja extensão ainda é cedo para avaliar. Mas quem está por dentro do partido diz que é preciso que o PSD seja rápido a tirar algumas lições desta contenda eleitoral. “Fecha-se um ciclo no PSD. A arte está em saber se a governação dá para ultrapassar este momento”, diz à VISÃO uma fonte próxima de Montenegro, explicando que o mau resultado de Marques Mendes não apanhou ninguém de surpresa. “Há dias que se esperava.” Mas isso não significa que o impacto não tenha sido grande. “As pessoas estão aborrecidas.”
