“O PSD não estará envolvido na campanha, não emitiremos nenhuma indicação”. A afirmação de Luís Montenegro, que falou logo após o discurso de derrota de Luís Marques Mendes, evita escolher entre António José Seguro, antigo líder do PS, e um André Ventura em crescente afirmação como líder da direita, que tem continuamente lembrado que esta segunda volta nas presidenciais é uma luta “contra o socialismo” e que é líder do partido que mais acordos fez no Parlamento com o Governo da AD.
Luís Marques Mendes também não quis dar indicação de voto. “Quero felicitar os candidatos que passam à segunda volta e dizer que não vou fazer o endosso dos votos que me foram hoje confiados”, disse Mendes, num discurso no qual se mostrou “sem amargura” em relação à escolha dos portugueses.
“Respeitarei sempre a escolha soberana dos portugueses, não ficou amargura, nem ressentido. Gosto muito do meu país, honrou-me muito servi-lo e ser candidato a Presidente da República”, afirmou Marques Mendes.
À chegada à sede de campanha de João Cotrim Figueiredo nesta noite eleitoral, a líder da IL também recusou falar sobre apoios, insistindo na hipótese – desmentida pouco depois pelos resultados oficiais – de Cotrim ir à segunda volta.
Mostrando como a direita se poderá dividir, Miguel Poiares Maduro, nos estúdios da RTP, não hesitou em anunciar que votará Seguro.
Carneiro dramatiza e apela a “união” dos democratas
Se a AD não declara apoio a ninguém na segunda volta, a esquerda já clarificou a escolha: Jorge Pinto, Catarina Martins e António Filipe apoiam Seguro.
Já José Luís Carneiro, num discurso de vitória feito no Largo do Rato, dramatizou a escolha que terá de ser feita a 8 de fevereiro.
“O que está em causa é muito relevante. De um lado temos uma visão democrática, do outro uma visão com tendências autocráticas. De um lado a ponderação e o equilíbrio, do outro a convulsão e o desequilíbrio e até a disrupção e a vontade de romper com conquistas fundamentais de 76 para cá”, disse o líder socialista.