O abandono, com estrondo, por parte do advogado de José Sócrates, Pedro Delille, do julgamento do processo Operação Marquês, foi o derradeiro de uma longa lista de incidentes que marcaram o caso, ao longo dos últimos 11 anos. Os episódios de tensão entre Sócrates e os seus defensores legais, com procuradores, juízes e jornalistas, que se foram multiplicando, ao longo do tempo, incluem mais de 130 incidentes, estando identificados, entre estes, pelo menos, 71 recursos, 24 reclamações e 23(!) pedidos de recusa de juízes, em tribunais superiores. Estimativas indicam que esta litigância poderá ter custado ao arguido entre 20 e 30 mil euros.
Agora, do nada, o maior e mais importante processo da Justiça portuguesa deixa a defesa do seu principal arguido entregue a um advogado oficioso, invisual, e que não teve um único minuto para poder inteirar-se de um processo que tem centenas de milhares de páginas (ver caixa). Pedro Delille, um advogado combativo e desconcertante, parece ter delineado uma estratégia de desacreditação permanente do tribunal e da juíza, Susana Seca – uma estratégia em que o seu cliente completava o guião, em longos solilóquios, perante jornalistas, à entrada e à saída do Campus de Justiça. Reforçava-se, assim, a ideia de que estamos perante “um julgamento político”.

