“O Governo acompanhou o projeto-piloto [da semana de quatro dias de trabalho] e os resultados desse projeto. Devo dizer que, pessoalmente, tenho ‘mixed feelings’ aí”, respondeu Maria do Rosário Palma Ramalho aos deputados, numa audição conjunta com as comissões do Trabalho, Segurança Social e Inclusão e Orçamento, Finanças e Administração Pública.
A ministra do Trabalho justificou a sua posição com os pontos positivos, mas também com os dados preocupantes revelados pelo projeto, em particular, no que se refere às “pessoas e tipologias mais favorecidas”.
Para Maria do Rosário Palma Ramalho, esta situação pode identificar desequilíbrios na conciliação entre o trabalho e a família e induzir novas discriminações, pelo que considera necessário “pensar bem” sobre esta matéria.
A decisão sobre a adoção ou não da semana de quatro dias de trabalho caberá, no entanto, às empresas e não ao Governo, garantiu.
De acordo com os resultados do projeto-piloto, que durou seis meses, a quase totalidade (95%) das cerca de quatro dezenas de empresas que participaram avaliaram a sua experiência como positiva, os trabalhadores assinalaram ganhos em termos da conciliação da vida pessoal, profissional e familiar e mais de 60% revelaram ter passado mais tempo com a família com a redução de horário.