Quando me deitei na noite de quarta-feira, 24 de abril de 1974, tinha acabado de passar os olhos pelo noticiário relacionado com as eleições presidenciais francesas marcadas para 5 de maio, disputadas sobretudo entre o socialista François Mitterrand, o gaullista Jacques Chaban-Delmas e o liberal Valéry Giscard d’Estaing – que, na segunda volta, viria a triunfar à tangente sobre o candidato da esquerda, no que seria o fim do gaullismo puro e duro, pouco depois da morte de Georges Pompidou. Tencionava ir, no dia seguinte, a uma tabacaria do Rossio comprar a última edição disponível do diário Le Monde e os números mais recentes dos semanários Le Nouvel Observateur e L’Express, grandes janelas rasgadas sobre o mundo, numa época em que ainda não era muito corrente ler, ou falar, em inglês.
Era redator do vespertino A Capital e, na primeira página da edição desse dia 24, tinha vindo anunciado que o jornal estaria presente no despique eleitoral gaulês “através do enviado especial Almeida Martins”. Ir a Paris era sempre uma excitação. Mas não cheguei sequer a ir ao Rossio no dia 25 e, mesmo que tivesse ido, não teria sido, decerto, para comprar Imprensa francesa, nem tão-pouco partiria para França nos dias imediatos. A verdade é que poucos portugueses se terão interessado, nos tempos mais chegados, pelo que se passava naquele país de além-Pirenéus.

A explicação é óbvia. Por volta das cinco da madrugada de dia 25, fui acordado pelo toque estridente do telefone, naquele tempo em que as campainhadas agressivas dos aparelhos pesadões faziam vibrar as paredes das casas. Quem estava do outro lado do fio era um dos subchefes da redação d’A Capital, Manuel Batoréo, a avisar que havia movimentos de tropas nas ruas de Lisboa. De uma esquina do Bairro Azul, vira militares a tentar escalar o muro do quartel-general. Quase todos os meus camaradas souberam também pelo Batoréo, a meio da noite, que, 40 dias depois da tentativa de golpe falhada do 16 de Março, uma ação militar voltava a tentar derrubar a ditadura, esse regime político interminável e caduco, instaurado no já remotíssimo ano de 1926, a que, à boca pequena, chamávamos fascista. Arranjei-me rapidamente e segui de táxi (já tinha carta, mas não carro e raramente conduzia) para a redação d’A Capital, então instalada no prédio da Rua Joaquim António de Aguiar, perto do cruzamento com a Rua Artilharia 1, onde antes fora a sede da Philips Portuguesa.
Nas ruas, ainda desertas, pairava o escuro silêncio característico das madrugadas na cidade. A única – mas grande – anomalia eram as marchas militares e, sobretudo, as músicas proibidas de José Afonso que passavam no rádio do carro. O coração batia-me com mais força do que o habitual, sentia-o a escoicinhar no peito e ouvia as suas pancadas surdas no interior da cabeça. A ditadura iria mesmo cair ou as forças do regime conseguiriam, desgraçadamente, travar o movimento? E – pergunta das perguntas – que movimento seria aquele? Do golpe de extrema-direita de Kaúlza de Arriaga, de que por vezes se falava baixinho e com temor, não parecia trata-se, pois nesse caso a rádio não passaria José Afonso. Era, pois, um movimento “de esquerda”: mas que esquerda? E o general António de Spínola, autor do bestseller intitulado Portugal e o Futuro, que toda a gente comprara em fevereiro e que quase ninguém lera, estaria implicado? De tão entregue a pensamentos exaltados, nem me lembro do que o motorista do táxi dizia, enquanto rodávamos pelas avenidas semidesertas.
A decisão de ignorar a Censura
Na redação d’A Capital, onde estavam já muitos camaradas, reinava uma excitação inicial e pura, porque íamos fazer o jornal das nossas vidas. Havia o Cáceres Monteiro, o Daniel Ricardo, o Pedro Vieira, o Appio Sottomayor, o António Carvalho, a Helena Marques, a Maria João Avillez, a Manuela Alves, a Joana Godinho, o Eduardo Lobo, o Pedro Oliveira, o António Santos, o Mário Alexandre, a Edite Esteves, o Hélder Pinho, o Luís de Barros, o Jaime Saint-Maurice, a Natal Vaz, a Maria Teresa Horta, o José Goulão, o Encarnação Viegas, o Joaquim Lobo, o António Xavier, o Inácio Ludgero, o Alberto Peixoto, o Joaquim Bizarro – e tantos, tantos outros que já confundo nos recantos da memória se estavam ali presentes nessa antemanhã esquisita ou se, pura e simplesmente, trabalhavam então noutros jornais, pois o ofício do jornalismo foi sempre feito de saídas e de entradas, de mudanças, de rotações e de regressos.
Nascera entretanto o “dia inicial inteiro e limpo” de que falaria Sophia e entrava pelas janelas uma luz baça, emanada do céu cor de cinza, a ameaçar água. Falava toda a gente ao mesmo tempo. Sentia a pequena náusea do nervosismo e o vago signo abdominal do confronto em perspetiva, mas, sobretudo, uma alegria tão intensa que parecia que o peito me ia estalar. Rodolfo Iriarte, o chefe da redação, de eterno cigarro aceso e ajeitando os óculos de lentes grossas, telefonava para as casas do diretor, o católico e monárquico Henrique Martins de Carvalho (que anos antes tinha sido ministro da Saúde e Assistência de Salazar), e do subdiretor, o sociólogo José Júlio Gonçalves, uma dupla instalada uns dois meses antes à cabeça do jornal controlado pela banca para tentar deitar água na fervura dos arroubos reviralhistas de grande parte dos redatores – nem todos, entenda-se. Daí a pouco chegou Martins de Carvalho e entrámos de rompão pelo seu gabinete que dava para as traseiras. Ele estava sentado numa cadeira de braços em frente da secretária de madeira polida, o cabelo descomposto e os olhos muito abertos, com os sapatos de cabedal castanho enfiados nos pés nus, como se, no desvario da notícia da Revolução, se tivesse esquecido de calçar as meias.

O Rodolfo Iriarte e os subchefes Daniel Ricardo e Cáceres Monteiro (todos jovens, mas este último tão jovem como eu, com 25 anos) tomaram desde logo conta da situação, aliás, creio, com o apoio tácito de José Júlio Gonçalves, entretanto também chegado. Contra as ordens superiormente emanadas por um regime agonizante (o Palácio Foz ainda emanava diretivas), era preciso fazer sair o jornal e, portanto, definir a orientação noticiosa: a escolha estava entre dar o golpe militar por triunfante e anunciá-lo como uma vitória das forças antifascistas ou, pelo contrário, optar pela reticente dúvida quanto ao desfecho das operações? Henrique Martins de Carvalho, temeroso de tudo quanto o rodeava e cumprindo à risca o papel que desempenhava na peça, argumentava que era necessário enviar, como todos os dias, as provas dos textos à Censura (ou Exame Prévio, como aquela instituição passara a chamar-se oficialmente no consulado de Marcelo Caetano). Não foi essa a decisão tomada e passámos o dia a escrever em liberdade, num simples diálogo a duas vozes entre a redação e a gráfica, sem as idas e vindas dos contínuos, de provas de texto na mão, entre a nossa sede e o reduto dos censores.
Alguns camaradas partiram, em serviço, para o Terreiro do Paço, outros seguiram mais tarde para o Largo do Carmo, eu fiquei na redação a editar textos e a respirar em grandes sorvos de alegria e estranheza o ar viciado de excitação e de fumo de tabaco. Preparámos para publicação os comunicados do MFA, fizemos reportagens sobre o que se passava nas ruas de Lisboa, noticiámos o cerco do quartel central da GNR e a rendição de Marcelo Caetano a Spínola, descrevemos os movimentos de tropas noutros pontos do País, editámos os telegramas das agências noticiosas estrangeiras com as reações internacionais ao que se passava em Portugal. O general Spínola era, por esse mundo fora, considerado o protagonista da Revolução. Uma segunda edição do jornal atualizou o noticiário e uma terceira acrescentou ainda novidades.
Podem agora os que leem estas linhas e não viveram esse dia não compreender na plenitude o sentimento de alegria intensa que me tomava, bem como à generalidade dos meus camaradas, mas tudo era novo e diferente, aberto e puro, virgem e esplendoroso. As preocupações pessoais e coletivas tidas até à véspera, que fazem parte da vida e parece que a conformam, haviam sido varridas por um alegre vendaval de novidade para o fundo do poço do esquecimento.
Mudar o mundo
Foi então, entre as quatro paredes pintadas de creme daquela grande sala rematada pelo “aquário” da chefia de redação, que uni as duas pontas, até aí soltas, da minha situação face à realidade: a de jornalista e a de utópico “reformador” do mundo.
Trabalhava na Imprensa há mais de meia dúzia de anos (entrara para a revista Flama no final de 1967), mas tivera por matriz as lutas estudantis e algum trabalho político de extrema-esquerda clandestino, acumulando o ofício com a condição de estudante universitário em regime de voluntariado. A grande causa da minha geração – ou, antes, do grupo social privilegiado mas indignado a que pertencia – era algo confusa, embora cheia de certezas. Funcionávamos em horda, como os animais selvagens ou as tribos primitivas, reagíamos aos ataques aglomerados num só corpo e saudávamos, sem outra reflexão que a do automatismo, o que era para ser saudado mas que raramente era assimilado. Havia algo de irracional em tudo aquilo, mesmo se a força da ideia vaga prevalecia sobre tudo. Penso – agora que penso – que tínhamos vergonha dos pensamentos e sentimentos individuais, que considerávamos ser “burgueses” e que simplesmente os recalcávamos quando não os utilizávamos para tentar escrever poemas ou contos existencialistas e ingenuamente enigmáticos inspirados em Sartre, Camus ou mesmo Vergílio Ferreira. O neorrealismo, de que eu preferia largamente a corrente italiana de Pratolini e Pavese, existia como uma parede sólida caiada de branco, mas só a custo eu, que burguês me confessava, conseguia espreitar para o outro lado, onde se apinhava uma multidão sofredora que bradava numa estranha linguagem alheia. Este dilema não seria, afinal, muito diferente daquele com que se confronta o católico fervoroso, dividido entre a pureza imaculada da fé e os demónios negros da instituição eclesiástica.
Em poucas palavras: sabíamos o que não queríamos, ainda que nem sempre tivéssemos uma certeza inabalável acerca do que pretendíamos ou do destino aonde nos conduziriam as nossas – estranho escrever agora a palavra – ilusões. O que, porém, antes de tudo rejeitávamos era a tristeza de um viver cinzento feito de medo e de palavras sussurradas, com o ouvido de um informador da PIDE/DGS em cada café, em cada sala de aula, em cada esquina, em cada local de trabalho sob a forma eventual de um camarada.

Esta era uma das pontas. A outra era a profissão de jornalista, onde tentei aplicar à realidade nua e crua algumas certezas vagas, transpondo-as para o papel de jornal num tempo em que os jornais ainda eram lidos por essa entidade vaga chamada “o grande público”. Com uma televisão a preto-e-branco (mais cinzento do que preto ou branco) limitada a um só canal, minuciosamente controlado pela ditadura e com horário de emissão reduzido a meia dúzia de horas noturnas, sem que alguma coisa semelhante à internet aflorasse sequer aos cérebros de imaginativos escritores de ficção científica, como Simak ou Asimov, era ainda e só o papel impresso que estabelecia a ponte entre os Mercúrios possíveis e uma população ávida de que lhe contassem coisas.
Embora não fossem mais do que uma reduzida fração da população do País – que em grande parte era analfabeta –, os leitores de jornais, essa espécie hoje quase extinta porque reduzida a um núcleo de sobreviventes, constituíam um vasto público atento e quase viciado no papel impresso. Os diários, com uma tiragem acumulada de cerca de cem mil exemplares, traziam “tudo”: as farmácias de serviço, a meteorologia, as marés, os preços dos géneros no mercado, os casos de polícia, os comunicados oficiais, os pequenos anúncios de casas para vender ou arrendar e de carros em segunda mão (a prostituição estava fora de causa, mas havia “cavalheiros sérios” à procura de senhoras respeitáveis para efeitos de casamento). Não havia, de manhã, repartição pública que não tivesse os matutinos derramados sobre as mesas; os meus avós liam O Século de fio a pavio e concediam especial atenção à secção Necrologia, à pesca melancólica de algum conhecido que tivesse partido para a grande viagem; à tarde, os funcionários engravatados saíam dos empregos, compravam os vespertinos aos ardinas, que os extraíam das grandes bolsas que usavam a tiracolo, e iam sentar-se nos cafés a folheá-los, de chapéu na cabeça, pois só se tirava o chapéu em casa e os cafés eram praças públicas, eventualmente entre dois dedos de conversa com frequentadores habitués, o empregado informador da PIDE de ouvido atento, o engraxador aos pés ou espalhando serradura no chão, para depois varrer e levar na pá escarros e pontas de cigarro. “Escreva de maneira que se entenda!”, gritava às vezes do seu cubículo o meu primeiro diretor n’A Capital, Norberto Lopes, “porque isto é para ser lido pela sopeira e pelo polícia”. Não havia ainda o politicamente correto e expressões como esta eram usadas com total à-vontade.
Entrei assim no estranho mundo dos fazedores desses veículos, tão incisivamente iniciáticos como frustradoramente censurados, que eram os jornais – porque as notícias transmitidas pelos pequenos deuses de asas nos pés em que nos arvorávamos eram apenas as notícias possíveis, já que, entre o papel dos “linguados” em que escrevíamos à mão e o papel impresso que borrava as mãos, se estendia-se a folha de papel vegetal da Censura, que tudo mutilava ou desfocava. Os jornalistas tinham-se habituado, no entanto, a esse jogo do gato e do rato que travavam com os coronéis da Rua da Misericórdia (os censores eram militares reformados) e, nas entrelinhas, iam passando a mensagem da resistência.

Já conhecia há muito, de experiência própria, a Censura e o meio jornalístico, pois antes de ter passado pela Flama publicara, a partir de 1962, os primeiros textos, ainda com pretensões literárias, no Diário de Lisboa Juvenil, coordenado por Mário Castrim. Fiz, assim, parte daquela geração de baby boomers (na altura não conhecia esta expressão) que, sabedora dos métodos repressivos do regime, tentou por todos os meios – e correndo todos os riscos – contrariá-los. Embora, desde que a Censura fora instituída em Portugal, em 1926, sempre tivesse havido tentativas de a contornar, por meados do século a Imprensa estava de uma forma geral em consonância com as políticas oficiais. Julgo que os métodos de seleção dos jornalistas se pautavam pelo pragmático critério de evitar problemas, tanto quanto possível, embora a classe nunca tivesse deixado de ser conotada com as correntes vagamente designadas por “livre pensamento” e por comportamentos sociais classificados de boémios. Ser jornalista era também perigoso, porque se vivia sempre no fio da navalha da hora do fecho da edição, das antológicas discussões telefónicas entre os chefes de redação e os censores, dos jantares fora de horas e normalmente em plena madrugada, dos jarros de vinho da casa em excesso, dos cigarros acesos uns nos outros, criando um ambiente irrespirável no local de trabalho.
No final dos anos 60, a entrada dos estudantes universitários para a classe veio mudar o panorama. Mais “conscientes” (usava-se muito esta palavra em oposição a “alienados”, que eram a massa informe), os recém-chegados praticavam, na medida do possível, menos excessos, até porque se afirmavam em contradição com todas as práticas tradicionais. No consulado de Marcelo Caetano, foi permitida a eleição dos corpos gerentes das associações de classe, e foi assim que o Sindicato dos Jornalistas saiu da alçada do sistema corporativo da ditadura, primeiro sob a direção de Silva Costa e, depois, de Luís de Barros.
Estão assim atadas as duas pontas do cordel – a da utopia e a da realidade – que foi essa minha primavera da vida.
O “processo revolucionário em curso”
A partir desse estranho e quase irreal 25 de Abril de 1974, tudo mudou. Viveríamos 19 meses num turbilhão, com agitação permanente nos órgãos de informação, nos sucessivos governos que se entredevoravam, nas ruas povoadas de palavras de ordem gritadas e de carros blindados chaimite, nos transportes cheios de odores e de fumo, nos escritórios e nas repartições públicas, onde metade do pessoal era “saneada” (a palavra usada para “afastado por suspeitas de simpatia com o anterior regime”), nas fábricas (sim, ainda existiam grandes fábricas na cintura industrial de Lisboa e dir-se-ia que todos os operários eram marxistas-leninistas), nos quartéis (sim, ainda havia tropa em grande quantidade e com extrema visibilidade) – divididos quanto ao projeto de futuro, equilibrados no fio da navalha e, sobretudo a partir de março de 1975, com a ameaça efetiva da guerra civil a pairar-nos, aguçada, sobre a nuca.
Quando apareceu o semanário O Jornal, em maio de 1975, de cujo grupo fundador fiz parte, passei a escrever ali sobretudo sobre atualidade internacional. Acompanhei de perto a transição política espanhola, cobri a morte de Franco e mergulhei nas causas e consequências desse fenómeno central da vida coletiva do país vizinho no século XX e que foi a guerra civil. Sabia bem o que era um confronto fratricida e temia-se o pior em Portugal.

Mas o “processo revolucionário em curso”, como se dizia a torto e a direito ao longo dos meses de abril de 1974 a novembro de 1975 (só mais tarde seria adotada a sigla PREC, inicialmente com conotação irónica), foi o período mais excitante da minha vida – das nossas vidas. No dizer acertado de Sophia, “emergimos da noite e do silêncio/ e livres habitámos a substância do tempo”. Ali e então, tudo parecia possível, até mesmo o impossível. Só com a entrada do ano de 1976 se foi, com todas as cautelas, institucionalizando a prática democrática e diminuíram os receios de que tudo pudesse andar para trás, ou seja, de que os saudosistas do passado conseguissem obter a sua implacável desforra.
Agora, passado meio século, o mundo é outro, e até mesmo os saudosistas do passado não o são na verdadeira aceção do conceito, pois ignoram, na maior parte dos casos, em que consistiu concretamente esse passado. O tropel dos tempos é, porém, incessante, e novas modalidades de reação à democracia alinham-se nas redes sociais e nas bancadas parlamentares. Diz-se que a História se repete, o que em linhas gerais até pode ser aceitável como guião, mas cada capítulo tem um estilo próprio, cada avatar as suas regras definidas.
Voltando a 25 de abril de 1974. Só ao fim da tarde desse dia, ou já noite adentro, o Rodolfo Iriarte me comunicou, com a maior das naturalidades, que – evidentemente – eu não seria enviado especial d’A Capital às eleições francesas. Pudera. Nem eu o desejava, apesar do fascínio de Paris. Havia muito que fazer, que pensar e que sentir dentro de portas. Reinventar a vida, por exemplo.