Segunda-feira, dia 17. São 22h e precisa de ir a uma urgência hospitalar. Uma pesquisa rápida no portal dos Tempos de Espera do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deixa antever como será a noite. No maior hospital do País, o Santa Maria, 45 pessoas foram triadas com a pulseira amarela (urgente), e a última terá pela frente seis horas, antes de ser vista por um médico. A norte, no São João, há mais quatro doentes urgentes para tratar, mas o tempo estimado de atendimento desce para as 2h31. Em Portimão, 26 pessoas com a pulseira amarela podem esperar 4h27 e seis com a verde (menos urgente), 8h30. Já no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, espera-se 4h10 por uma urgência.
A tão prometida reforma dos cuidados primários está por concretizar – aliás, o número de portugueses sem médico de família subiu para 1,758 milhões, em maio, de acordo com o portal da Transparência do SNS, mais 80 mil do que em abril – e as urgências hospitalares continuam sobrelotadas, mobilizando profissionais obrigados a deixar em espera os seus doentes de consulta ou cirurgia. As listas de espera crescem, mesmo com o aumento da atividade, que não é suficiente para responder à elevada procura de uma população envelhecida, com mais comorbilidades e que falhou na aposta da prevenção. Uma consulta prioritária de oncologia no Hospital Espírito Santo de Évora demora 94 dias, mais 34 do que manda a lei. No serviço de neurocirurgia de Coimbra, um doente com cancro pode levar 217 dias a chegar ao momento que os cirurgiões apelidam de “faca à pele”.
