Os prazos estabelecidos pelo regimento da Assembleia da República, a par dos contornos da demissão do Ministério das Infraestruturas e Habitação (MIH), na madrugada de 29 de dezembro de 2022, e também a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à gestão da TAP, que ainda tem um relatório final para votar até ao final da atual sessão legislativa, acabaram por ser três fatores que se alinharam e que poderiam ensombrar o seu regresso ao grupo parlamentar do PS. Porém, as prestações que teve em duas audições quase seguidas, em pouco mais de uma semana, perante vários deputados ávidos de encontrarem mais trapalhadas sobre a relação da Tutela com a companhia aérea bandeira, acalentam a ideia de que Pedro Nuno Santos está de volta à sua melhor forma e que os seus correligionários afinal tinham razão – quando criticavam, à boca pequena, aquilo que achavam ser o exagerado anúncio da sua morte política.
O ex-ministro das Infraestruturas, que saiu do Governo na sequência da mal explicada indemnização de 500 mil euros dada à antiga administradora da TAP, Alexandra Reis, está de regresso ao Parlamento no dia em que uma potência mundial comemora o seu Dia da Independência – a 4 de julho. Uma data simbólica para quem não só precisa de se libertar da imagem de governante rebelde – que provocou a primeira grande crise política do Executivo socialista, quando passavam somente três meses de uma maioria absoluta em funções, com um polémico despacho sobre o futuro aeroporto de Lisboa –, mas também de voltar a alimentar a personificação de um pertinente e capaz sucessor de António Costa.

