Foram dois minutos de um duelo a que a VISÃO submeteu PS e PSD, no rescaldo do debate do estado da Nação, na Assembleia da República. O socialista Porfírio Silva e o social-democrata Alexandre Poço divergiram, como seria de esperar, quanto ao País que o Governo de António Costa trouxe à discussão esta quarta-feira. Terá havido uma vitória por knockout? Tire as conclusões.
Porfírio Silva: “PSD quer voltar 10 anos atrás e a uma recauchutagem de Passos Coelho, que hoje em dia, seria ainda mais trágico do que foi”

“Deste debate resulta claramente que é verdade que a vida não está fácil para os portugueses, como não está fácil para os espanhóis, franceses, britânicos; ou seja, não está fácil para ninguém. Os efeitos encadeados da pandemia e da guerra provocaram desafios que nunca vimos durante as nossas vidas, e que fizeram com que o esforço, não só dos governantes mas dos empresários, dos funcionários públicos, dos serviços públicos, de toda a gente, fosse um esforço brutal e que coloca imensos desafios à vida de todos os dias .
Mas, também ficou claro outra coisa: o Governo continua determinado e a concretizar respostas aos novos desafios, e aos desafios que já vêm de trás. Porque as reformas não se fazem num dia, não se concretizam numa semana, não se avaliam num mês; é preciso persistência, continuar, recompor e avançar.
Não desistimos de continuar melhorar o Serviço Nacional de Saúde, porque investimos enquanto o PSD desinvestiu; porque aumentámos o número de profissionais, enquanto o PSD não o fez. Mas temos a consciência de que é preciso dar novos avanços em termos de organização, de gestão, em termos de satisfação dos profissionais.
Este debate mostrou claramente que não estamos desatentos também quanto à inflação. Além de o primeiro-ministro ter mostrado que estamos a devolver aos portugueses, em medidas de combate à inflação, aquilo que tem sido cobrado nas receitas, nomeadamente no IVA, também já anunciou que, em setembro, voltaremos a ter mais um pacote de medidas, quer para as empresas, quer para as famílias, porque temos a consciência que esta batalha não está ganha e que temos de continuar a fazer mais todos os dias.
Nunca dissemos, nem nunca diremos, que está tudo feito, que tudo resolvido e que não há problemas. O que dizemos é: há problemas, o mundo tem-nos posto perante situações que nunca esperaríamos ter de enfrentar na vida – uma crise de saúde pública de nível mundial sem precedentes, uma guerra na Europa, quando já pensávamos que nunca seria possível. Mas vamos continuar a responder, e esta é uma parte do balanço.
A outra parte do balanço do Estado da Nação é que o PSD recuou uma década. O PSD voltou ao discurso do “passismo”, ao discurso de que está tudo mal, voltou a um discurso destrutivo.
No fundo, passamos a estar à espera que o PSD volte a prometer que falta cortar 600 milhões nas pensões, ou que o PSD volte a dizer que é preciso empobrecer permanente para resolver os problemas do País, ou que o PSD diga que o corte nos direitos sociais tem de ser permanente para resolver a crise. O que o PSD está a mostrar é quer voltar 10 anos atrás e a uma recauchutagem de Passos Coelho, que hoje em dia, nas condições em que o mundo está seria ainda mais trágico do que foi nessa altura”.
Alexandre Poço: “Este debate revelou um desfasamento entre o país que os portugueses conhecem e o país que o primeiro ministro aqui veio mostrar”

“Há o país real e depois há o país que o primeiro-ministro, António Costa, nos veio aqui apresentar. E veio apresentar de uma forma que também desconsidera aquilo que é o escrutínio e a fiscalização da Assembleia da República.
António Costa recusou-se a responder a questões: respondeu a 17 questões num minuto. E utilizou este debate para fazer duas coisas: para vender o país que os portugueses não conhecem quando vão ao supermercado, à bomba de combustível, quando têm de pagar as suas contas, quando veem os juros dos seus empréstimos à habitação a subir; e aproveitou ainda para debitar medidas, algumas delas requentadas e as outras tratam-se de propaganda. A medida das creches já tinham sido anunciada no Orçamento do Estado para 2022.
Este debate revelou um desfasamento entre o país que os portugueses conhecem no dia-à-dia e o país que o primeiro-ministro veio aqui mostrar, num debate do Estado da Nação de um Governo que mais parece que está farto de governar, que está cansado, esgotado e sem capacidade para reformar e modernizar o país”.