Passaram-se apenas algumas horas entre a derrota eleitoral do PSD nas legislativas e os primeiros movimentos do exército de Luís Montenegro, o antigo líder da bancada parlamentar de Passos Coelho. Desde fevereiro que os “montenegristas” se multiplicaram em contactos e restauraram a rede de apoio ao eurodeputado Paulo Rangel, nas últimas diretas, em novembro, quando este perdeu o PSD com 48% dos votos, para Rui Rio. Aqui chegados, com a data das próximas eleições internas marcada para 28 de maio, os seguidores de Montenegro não só puxaram o tapete a qualquer intenção de uma nova candidatura de Rangel ou de alguém envolvido nela – como o diretor de campanha do eurodeputado, Miguel Poiares Maduro, nome falado, na última semana, como possível candidato – como se prepararam para condicionar outros adversários possíveis, entre eles, o vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, Miguel Pinto Luz, que, apesar da vontade, se deixou ficar para trás.
Da sondagem feita pelos “montenegristas” às estruturas distritais, só em Évora e em Faro têm sentido resistência, explica fonte ligada à candidatura de Luís Montenegro, que formalizará a sua disponibilidade para liderar o PSD “nos próximos dias”. Todavia, se há lição que Rio deixou nas últimas diretas foi a de que não basta ter o aparelho para conquistar o partido; é preciso ter as bases também. Por isso, apesar de bem posicionado, Montenegro não só não tem a vitória garantida, como os “rioistas” ainda quererão marcar a sua posição e discutem quem poderá representá-los. Depois de o “homem forte” de Rio, o autarca de Ovar, Salvador Malheiro, se ter mostrado indisponível para protagonizar esta candidatura, sondam-se outros nomes, entre os quais o de um dos “vices” de Rui Rio, o deputado André Coelho Lima.
