José Sócrates tem perpetrado ataques que “vilipendiam” a justiça e os principais partidos e os mais altos dirigentes e instâncias do Estado, que deveriam reagir, têm sido coniventes com a campanha do ex-primeiro-ministro. É esta a principal mensagem passada por Henrique Neto, o empresário candidato à Presidência da República, num comunicado enviado hoje ao início da tarde.
O candidato argumenta que se as altas figuras do Estado acreditam que Sócrates tem razão ao atacar a justiça deveriam afirmá-lo publicamente, tal como deveriam fazê-lo se acreditassem exatamente no contrário: que os ataques de Sócrates não têm fundamento. “Em qualquer caso, porque se calam?”, questiona Henrique Neto.
“Os violentos ataques de Sócrates contra a Justiça só poderiam merecer uma de duas reações políticas: ou vigorosas declarações de solidariedade, por forma a pôr termo ao arbítrio tirânico e persecutório que estivesse a passar-se; ou prontas e igualmente vigorosas afirmações perante ataques descabidos e movimentações contra a independência da Justiça e da sua ação”, argumenta o empresário nascido na Marinha Grande, adiantando a sua posição contra o que apelido de ataques “descabidos” à Justiça. “É manifesto que é a segunda resposta que se exige a todos, desde logo aos candidatos a Presidente da República, sob pena de descrédito ainda maior do sistema de Justiça e do sistema político na opinião pública.”
A defesa de Sócrates deve ser feita nos tribunais. Mas isso não impede que cada candidato tenha uma opinião sobre os factos, alega Henrique Neto. “Muitos dos factos já assumidos publicamente, ainda quando não tenham relevo criminal, são fortemente reprováveis no plano ético e político. E esta atual campanha dirigida contra a Justiça também causa dano. A defesa judicial de José Sócrates deve ser feita nos tribunais; e não procurando abrir um processo político contra a Justiça a fim de obscurecer as questões que contra si pendem.”
Por essa razão, quem como ele é candidato à Presidência da República, acrescenta, deve demonstrar publicamente qual a sua posição quanto às reações de Sócrates no âmbito da Operação Marquês. “O que pensam os outros candidatos e candidatas? A função presidencial constitui o garante último da independência da Justiça. O silêncio ensurdecedor dos outros candidatos só pode encobrir cumplicidade ou medo. E Portugal não pode ter um Presidente da Republica cúmplice de comportamentos eticamente reprováveis, nem com medo do poder do sistema partidário ou de interesses económicos.”
Antes mesmo de nascer o processo que tem no centro José Sócrates, e antes mesmo de Henrique Neto ter formalizado a candidatura à Presidência da República, o empresário nunca escondeu a sua posição sobre o ex-primeiro-ministro. Em 2010, numa entrevista ao “Jornal de Negócios”, o ex-deputado disse que Sócrates era “um aldrabão, um vendedor de automóveis”, no topo “da pirâmide dos que dão cabo disto tudo”. Em 2015, numa carta aberta aos militantes do Partido Socialista explicou por que razão se afastou do partido. A razão teve um nome: José Sócrates. “Conduziu o país para a dependência externa, para a estagnação económica e para o empobrecimento das famílias portuguesas, ao mesmo tempo que muita gente enriqueceu sem causa conhecida.”