O PSD aguarda uma sondagem que encomendou, e que estará pronta em março, para anunciar publicamente uma decisão sobre a coligação pré-eleitoral com o CDS. A ideia de que os dois partidos estão condenados a renovarem a aliança é defendida por ambas as partes, mas o timing para a comunicação às bases – e ao País – diverge dos centristas para os sociais-democratas. O CDS quer a questão resolvida até ao Carnaval e aponta o início de fevereiro como deadline. Já o PSD prefere aguardar pelos números de mais um “grande estudo de opinião”, de acordo com fonte do partido.
Na sessão de abertura do Congresso do PSD Madeira, no último fim de semana, Passos Coelho partilhou a sua visão sobre o assunto: “Haverá um tempo em que o PSD e o CDS vão discutir o futuro. Não estou ansioso com isso. E é importante para todos nós que esse tempo seja respeitado, de modo a que o País possa dizer e expressar a sua vontade em relação a isso.”
Os dois parceiros já vêm tentando perceber essa vontade do País há algum tempo e os resultados das sondagens não divergem muito, com vantagem entre um e dois pontos percentuais, ao que a VISÃO apurou, para a solução da coligação pré-eleitoral. No entanto, em nenhum estudo a aliança parece conseguir a maioria absoluta. Por essa razão, é preciso ir apurando os números até ao final do primeiro trimestre de 2015, altura em que ambos concordam que tem de estar definida a forma como vão apresentar-se nas urnas, de modo a poderem dar início à campanha… ou campanhas.
Pequenas incógnitas
Do lado do PSD, há ainda uma incógnita por esclarecer: a dimensão dos estragos que os pequenos partidos podem trazer ao Bloco Central, com especial destaque para o Partido Democrático Republicano de Marinho e Pinto. Entre os sociais-democratas há quem entenda que o PDR pode vir a desempenhar um papel importante na viabilização de um governo de maioria de direita.
“Se, da sondagem, resultar que PSD e CDS têm mais votos que o PS, vão coligados só os dois. Nesse caso, não vale a pena anteciparem uma coligação pré-eleitoral com Marinho e Pinto. Mas se eles não tiverem mais votos que o PS, pode ser necessário alargar a aliança. E aí, só Marinho e Pinto pode ajudar”, avança fonte do PSD. “Isso sim, não seria mais do mesmo e causaria impacto.” Centristas nem querem colocar a questão, considerando que “Marinho e Pinto não é nem de esquerda nem de direita e que mais facilmente se coligaria com António Costa que com a direita”.
Camuflando o nervosismo, as estruturas locais do CDS estão mais ansiosas em avançar para o terreno e definir uma estratégia eleitoral do que o PSD. A pressa sentiu-se especialmente em meados de dezembro, quando, numa reunião partidária em Elvas, Portas anunciou a criação de um grupo de trabalho para começar a desenhar um programa de governo.
“É preciso que o CDS faça o seu trabalho de casa”, justificou o líder dos centristas. Assunção Cristas, ministra da Agricultura e do Mar, ficou incumbida da tarefa de “selecionar aquelas que são ideias consistentes sobre os principais problemas de futuro do País”, nas palavras de Portas, enquanto não há coligação com o PSD.
Independentemente deste trabalho em curso, no íntimo, para os centristas “é difícil não haver coligação e mesmo aqueles que não a querem dão-se por vencidos. Não há tempo para se separarem”. Além do mais, sobre toda esta incerteza paira o temor, secreto, de que o Presidente, perante a eventualidade de ter um PS sem maioria absoluta, imponha uma solução de estabilidade. E aí… “o PS não há de conseguir grandes coligações à esquerda. Só tem o PSD, porque o CDS provavelmente não terá votos suficientes”, especula fonte centrista, enquanto outro dirigente reforça: “”Depois de Marinho e Pinto e do Livre, o mais provável seria o PS coligar-se com o PSD. O CDS é o último da lista… bem, depois do Bloco e do PCP.” É o regresso do Bloco Central?