Cavaco, Sampaio, Soares e Eanes juntos no Palácio de Belém para assinalar aniversário da Revolução.
A cerimónia começou com abertura dos jardins ao público logo pelas dez horas da manhã. Meia hora depois atuou a Banda da Guarda Nacional Republicana, no Jardim da Cascata.
Ao meio-dia, no Pátio dos Bichos iniciou-se a cerimónia oficial comemorativa do 25 de Abril, com intervenções dos três chefes de Estado eleitos pós-25 de Abril, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio, além de um discurso do atual Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Depois de um breve momento musical pelos pianistas Mário Laginha e Bernardo Sassetti, Cavaco Silva agraciou sete personalidades, entre os quais o antigo presidente da Assembleia da República Barbosa de Melo, o Presidente do Grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, condecorando ainda o Banco Alimentar Contra a Fome como membro honorário da Ordem da Liberdade.
A seguir ao almoço, milhares de pessoas reuniram-se para a tradicional descida da Avenida da Liberdade, em Lisboa.
Recordar o 25 de Abril de 1974
De madrugada, militares do MFA ocuparam os estúdios do Rádio Clube Português e, através da rádio, explicaram à população que pretendiam que o País fosse de novo uma democracia, com eleições e liberdades de toda a ordem. E punham no ar músicas de que a ditadura não gostava, como Grândola Vila Morena, de José Afonso.
Ao mesmo tempo, uma coluna militar com tanques, comandada pelo capitão Salgueiro Maia, saiu da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, e marchou para Lisboa. Na capital, tomou posições junto dos ministérios e depois cercou o quartel da GNR do Carmo, onde se tinha refugiado Marcelo Caetano, o sucessor de Salazar à frente da ditadura.
Durante o dia, a população de Lisboa foi-se juntando aos militares. E o que era um golpe de Estado transformou-se numa verdadeira revolução. A certa altura, uma vendedora de flores começou a distribuir cravos. Os soldados enfiavam o pé do seu cravo no cano da espingarda e os civis punham a flor ao peito. Por isso se falava de Revolução dos Cravos. Foram dados alguns tiros para o ar, mas ninguém morreu nem foi ferido.
Ao fim da tarde, Marcelo Caetano rendeu-se e entregou o poder ao general Spínola, que, embora não pertencesse ao MFA, não pensava da mesma maneira que o governo acerca das colónias.
Um ano depois, a 25 de Abril de 1975, os portugueses votaram pela primeira vez em liberdade desde há muitas décadas.