A guerra da Ucrânia não começou em 2022. Começou no momento em que a ordem liberal saída de 1989 deixou de conseguir impor limites ao poder. A invasão russa apenas tornou visível aquilo que já estava em erosão, a convicção de que o comércio substitui a geopolítica, de que a interdependência impede a guerra, de que a História tinha escolhido um vencedor definitivo. Quatro anos depois, não estamos perante um conflito prolongado, estamos perante a certidão de óbito de um ciclo histórico.
A resposta inicial do Ocidente, sob a Administração Biden, ainda pertenceu ao mundo anterior. Reconstrução da unidade transatlântica, reforço da NATO, sanções coordenadas, defesa normativa da soberania. A estratégia era conter Moscovo sem escalar para confronto direto, preservar a credibilidade americana e sinalizar à China que o revisionismo territorial teria custos elevados. A Europa acompanhou, aumentou orçamentos de defesa, reduziu dependência energética e redescobriu a linguagem da dissuasão. Mas essa reação foi também defensiva, procurou salvar a ordem existente, não substituí-la.

