“Precisamos de falar. Isto já não está a resultar”. É assim que começa o vídeo em que Miami “termina a relação” com o “Spring Break”, o nome dado nos EUA à semana de férias académicas durante o período da Páscoa, em que é tradição os alunos de diferentes pontos do país reunirem-se nas praias daquela cidade da Flórida para dias de folia. Contudo, a escalada de violência registada nesta semana nos últimos anos levou as autoridades de Miami a tomarem uma atitude mais drástica.
Este ano estão a ser implementadas novas medidas de segurança para evitar situações mais violentas, incluindo toque de recolher obrigatório, restrições de estacionamento para não residentes, o encerramento de estabelecimentos de comércio e zonas de passeio nos dias mais movimentados, revistas aleatórias, fecho antecipado de praias e prisões por posse de droga e por situações de violência. O governador da Flórida, Ron DeSantis, confirmou ainda esta terça-feira que está previsto haver um reforço policial durante esse período.
“A Flórida é um estado acolhedor. Queremos que as pessoas venham para cá e que se divirtam. O que não recebemos bem é a atividade criminosa. O que não acolhemos é o caos e as pessoas que querem causar estragos nas nossas comunidades”, explica DeSantis.
Ainda que nas redes sociais os residentes de Miami Beach estejam a aplaudir estas novas medidas de segurança, os proprietários de estabelecimentos de comércio revelam preocupação com a possibilidade de perderem dinheiro e os defensores dos direitos civis dizem que esta é uma reação exagerada às grandes multidões – que aumentaram desde o início dos anos 2000 devido à realização do festival de hip hop Urban Beach Week.
Caos, violência e morte
Durante a semana de “Spring Break”, é tradição os estudantes americanos de diferentes pontos dos EUA reunirem-se em Miami para dias de convívio e festas. Contudo, esta semana começou a tornar-se conhecida pelos excessos cometidos pelos não residentes, tanto no consumo de álcool como na violência, sendo que no ano passado ocorreram dois tiroteios que provocaram duas mortes.
“O status quo e o que vimos nos últimos anos não são aceitáveis, não são toleráveis”, afirma o mayor de Miami Beach, Steven Meiner à Associated Press, que explica ainda que as multidões que chegam à cidade nesta semana são cada vez mais difíceis de controlar e não respeitam a forte presença policial, o que coloca os residentes em risco. “Tenho a obrigação moral de manter as pessoas seguras”.
Para o chefe da polícia Eusebio Talamantez, a escalada de violência deve-se não aos estudantes universitários, mas sim a outras pessoas que aproveitam o meio de festa para praticar crimes. “Quando pensamos no ‘Spring Break’, pensamos nas férias, talvez em algumas brigas e em bebidas alcóolicas. Mas isso evoluiu para tiroteios, tumultos em massa, violações e homicídios”.