O rosto da inglesa Margaret Keenan, 80 anos, a primeira pessoa a receber a vacina da Pfizer/BioNtech contra a Covid-19, no Hospital Universitário de Coventry, Reino Unido, foi o mais visto do dia – e não faltam razões para isso, tal como não faltaram as palmas do pessoal hospitalar que a recebeu, e que também teve direito à imunização. Seguiram-se, como se pode ver nas imagens em cima, uma série de outros sorrisos e explosões de alegria, naquele que é já chamado de novo dia “V”: o momento “histórico” em que se iniciou a maior campanha de vacinação do país.
Com mais de 60 mil mortos e mais de 1,7 milhões de infetados com o SARS CoV-2, o Reino Unido é o país europeu mais afetado pela crise pandémica. Daí ter-se empenhado em acelerar o processo de autorização da vacinação de emergência, depois de ter encomendado 40 milhões de doses da vacina da Pfizer/BioNTech, com o propósito de proteger 20 milhões de pessoas, uma vez que esta vacina se administra com duas doses.
Nesta primeira fase, estarão disponíveis 800 mil doses no Reino Unido, e os lotes chegaram a 50 centros hospitalares de todo o país, para aquela que é já considerada a maior e mais complexa campanha de vacinação da história britânica. Os obstáculos logísticos, já se sabe, são grandes. Trata-se de uma vacina que tem de ser armazenada em embalagens conservadas a menos 70 graus e em lotes com perto de mil doses, que não são facilmente divisiveis, de forma a ser administradas nos lares – cujos residentes foram designados como primeira prioridade. Pode ser transportada apenas quatro vezes e dura cinco dias à temperatura do frigorífico. Mas sempre, sempre com o máximo de cuidado, de forma a que nenhuma vacina seja desperdiçada.
Os funcionários do serviço nacional de saúde britânico trabalharam o fim de semana todo para preparar os espaços de imunização, e as compilar listas de quem deveria ser convidado a ter a vacina em primeiro lugar. Foram abrangidos os maiores de 80 anos, com consulta marcada naqueles centros, tal como os idosos que tivessem, entretanto, alta hospitalar. Todos terão igualmente uma marcação para a segunda dose dentro de três semanas.
O processo será gradualmente alargado a outros espaços, como as farmácias, desde que cumpram uma série de requisitos. “É um momento histórico”, considerou o secretário da saúde, Matt Hancock, citado pela BBC”. Boris Johnson, o primeiro-ministro, corroborou: é “o maior programa de vacinação em massa”. Mas, avisou também, será “um processo longo e gradual”.