O jornal britânico Independent fala na pior crise diplomática entre as duas nações nos últimos 40 anos. E a Folha de São Paulo, que ouviu a “opinião de diplomatas europeus e brasileiros”, diz que uma tensão como esta entre Brasil e França não se via desde a “guerra da lagosta”, na década de 1960, um litígio originado pela captura ilegal de lagostas, por parte de embarcações de pesca francesas, em águas territoriais no litoral da região Nordeste do Brasil.
As mais recentes acusações começaram na semana passada, depois de uma reação no Twitter do presidente francês às notícias e imagens que revelavam a magnitude dos incêndios da Amazónia. “A nossa casa está a arder. Literalmente. A floresta amazónica – os pulmões que produzem 20% do oxigénio do nosso planeta – está em chamas. É uma crise internacional. Membros da Cimeira do G7, vamos discutir esta emergência de primeira ordem daqui a dois dias!” escreveu Macron.
O contra-ataque brasileiro chegou no próprio dia à noite, no Twitter de Bolsonaro. O Presidente brasileiro acusou Macron de “instrumentalizar” a situação para proveito próprio.
Entretanto nessa madrugada, uma nova acusação chega pelo Twitter de um dos filhos de Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro é deputado e foi indicado para ser embaixador nos EUA. “Recado para Macron” é a descrição que acompanha a partilha do vídeo em que um youtuber apoiante de Bolsonaro tece insultos à figura do chefe de Estado francês, à medida que mostra imagens dos protestos dos “coletes amarelos”. A mensagem final é clara “Macron é um idiota”.
Na passada sexta-feira, 23, o palácio presidencial francês disse em comunicado que Bolsonaro mentiu ao assumir compromissos em defesa do ambiente na cúpula do G20, em junho, e isso inviabilizava a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, concluído no mesmo mês: “O Presidente Bolsonaro decidiu não respeitar os compromissos ambientais e não se empenhar em matéria de biodiversidade. Nestas condições, França opõe-se ao acordo com o Mercosul tal como está”.
Por fim, no sábado, a Folha de São Paulo partilhou printscreen de um comentário do presidente do Brasil a uma provocação feita por um apoiante seu, na sua página de oficial de Facebook, sobre a mulher de Emmanuel Macron. Com uma montagem que juntava os dois casais, o utilizador insinuava que Macron tinha inveja de não ter uma esposa ao nível da de Bolsonaro. E o presidente respondeu, em tom jocoso: “Não humilha o cara”.

A resposta de Bolsonaro ao comentário provocatório de um utilizador
A última carta foi lançada por Emmanuel Macron, numa delcaração aos jornalistas na cimeira do G7:
“O que é que eu posso dizer? É triste. É triste para ele e para os brasileiros. Acho que as mulheres brasileiras provavelmente têm vergonha de ler que o presidente escreve. (…) Acho que os brasileiros, um grande povo, estão um pouco envergonhados com este comportamento (…) Como tenho muita amizade e respeito pelo povo brasileiro, espero que eles tenham rapidamente um presidente que esteja ao nível do cargo”.
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