O petróleo iraniano começou a chegar ao mercado, com o fim das sanções internacionais ao país do ayatola Khomeini, e o preço do crude bateu no fundo, andando neste início de semana a rondar os 28 dólares por barril.
Embora Portugal possa ser um dos beneficados pelo petróleo barato, como país importador que é, o PSI-20 está em queda. A construtora Mota-Engil desvalorizou mais de 22% e a CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários resolveu suspender as ações da empresa, aguardando mais esclarecimentos. A atividade da Mota-Engil depende, em grande medida, do mercado angolano que, por sua vez, é totalmente subordinado ao petróleo.
O Irão tem 10% das reservas mundiais de petróleo e anunciou que, depois do levantamento das sanções no sábado passado, espera colocar no mercado mais meio milhão de barris por dia. Com tanta oferta numa altura em que a procura diminui (com o arrefecimento da China e outros países emergentes), não se vislumbra uma valorização acentuada desta matéria-prima.
E assim chegamos a esta ‘Blue Monday’, o dia mais deprimente do ano, segundo uma fórmula matemática, nada científica, usada em tempos numa campanha publicitária, que convenceu muita gente com este argumento de peso: o Natal acabou, mas a dívida do cartão de crédito ainda não.
O que acontece a seguir? Os países europeus, importadores de petróleo, irão beneficiar grandemente desta situação. Uma poupança na fatura energética ajuda sempre a economia a expandir-se, embora as exportações para países como o Brasil ou Angola sofram.
Já os países produtores de petróleo como o Brasil, Angola, Nigéria, Venezuela ou Rússia continuarão com a corda na garganta, alguns deles, como os dois primeiros, a viver tempos complicados de recessão.
O que fará a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que deverá reunir-se em março, é uma incógnita. A Arábia Saudita tem um custo de produção muito baixo (a 5 dólares o barril), além de ter vastas reservas financeiras que lhe permitem aguentar por muito tempo estes preços baixos.
Baixar a produção (de forma a reduzir a oferta para aumentar os preços) faz com que a Arábia perca quota de mercado para o petróleo de xisto da América do Norte, algo que não está disposta a fazer.
Enquanto durar este braço de ferro, os preços podem baixar até aos 20 dólares, estimam bancos como o Morgan Stanley e o Goldman Sachs. Já faltou mais.