De dois em dois anos, por esta altura, os campeonatos da Europa e do Mundo são os momentos mais esperados pelos amantes do futebol. Sobretudo desde que, a partir do início do século, a nossa Seleção deixou de ser um mero participante pontual e se afirmou como credível candidato à conquista dos troféus, capitaneada pelo “melhor jogador do mundo” e representada por um leque de craques que dá cartas nas melhores ligas da Europa, um Europeu e um Mundial passaram a ser momentos de gigantesca comunhão nacional, com milhões de portugueses colados ao ecrã a torcer pelas proezas da “equipa de todos nós”. Nada de novo, é assim desde que o futebol começou a passar na televisão, dirão os mais antigos. Certo. Mas já todos nos habituámos a formas diferentes de ver a bola. O que, antes, se conseguia ver apenas no Canal 1 da RTP passou a ser partilhado pelas televisões privadas (SIC e TVI) e, mais recentemente, só pagando uma assinatura mensal se consegue ver todos os jogos das grandes competições nacionais e internacionais. Nesse aspeto, este ano, não será diferente, pois a legislação europeia obriga a que os eventos desportivos de “interesse nacional” sejam transmitidos em sinal aberto. Daí que os principais jogos do Mundial 2026, que vai decorrer, entre 11 de junho e 19 de julho, nos Estados Unidos da América, no Canadá e no México, continuem a ser transmitidos pelos três canais generalistas. No entanto, ao todo, RTP (6), SIC (7) e TVI (7) vão mostrar apenas 20 jogos da competição, entre os quais estarão sempre, além de todos aqueles em que participar a Seleção Nacional, o jogo de abertura, a final e, pelo menos, uma das partidas das fases a eliminar. O que muda, este ano, é que, além dos canais generalistas e da Sport TV (que assegura a transmissão dos 104 jogos da competição), o Mundial 2026 vai também poder ser acompanhado, em Portugal, através do YouTube.
A experiência não é nova e começou no Brasil, em 2022, durante o Mundial do Catar. Na altura, aproveitando a popularidade do criador de conteúdo digital Casimiro Miguel, a empresa LiveModeTV adquiriu os direitos de transmissão televisiva da competição para o Brasil e criou um canal no YouTube, o CazéTV, que se revelou um sucesso instantâneo e se tornou, em apenas quatro anos, no maior canal de streaming desportivo naquele país. É exatamente o mesmo modelo que, agora, a empresa replicou em Portugal e promete revolucionar a forma como vemos futebol neste jardim à beira-mar plantado. Um projeto ambicioso, que promete não se ficar apenas pelo Campeonato do Mundo de Futebol deste ano, nem tão-pouco pelas nossas fronteiras. O que aí vem promete ser uma revolução global no negócio das transmissões de grandes eventos desportivos, nacionais e internacionais, suficientemente atrativo para até Cristiano Ronaldo já se ter associado como investidor de referência. Como primeiro passo nesse processo de globalização, a LiveModeTV escolheu Portugal, avançando para a transmissão, gratuita e sem necessidade de qualquer subscrição, de 34 jogos do Mundial 2026 no seu canal no YouTube. Entre esses jogos, estarão todos aqueles em que participar a Seleção Nacional, a partida de abertura e a final, além dos principais jogos de cada dia da competição, alguns deles de forma exclusiva em sinal aberto, como serão os casos de certos jogos do Brasil, da Argentina, de Espanha e da Alemanha durante a fase de grupos da competição, que vai decorrer entre os dias 11 e 28 de junho. Daí para a frente, tudo dependerá das seleções que se forem apurando para as fases a eliminar, até à final marcada para dia 19 de julho, no Estádio MetLife, em Nova Jersey.
Globetrotter do entretenimento
O português escolhido pelos brasileiros da LiveMode para comandar a operação em Portugal tem um impressionante currículo internacional

João Mesquita é um executivo português com mais de 30 anos de experiência em marketing, média e entretenimento, tendo construído grande parte da sua carreira entre Portugal, Brasil e Estados Unidos da América. Após completar a formação académica em Lisboa, começou por trabalhar na área da grande distribuição e bens de consumo, em empresas como a Unilever, a Mars e a Swatch Group. Só depois deu o salto definitivo para o mundo dos média, assumindo a liderança da Premium TV Portugal, um consórcio entre Portugal Telecom, TV Globo, SIC e Lusomundo. Em 2004, foi para o Brasil, tornando-se CEO da Telecine, outro consórcio internacional entre Grupo Globo, FOX, NBCUniversal, Paramount e MGM. Nos 13 anos em que esteve à frente desta companhia transformou-a na marca de TV por subscrição de referência no país, com uma faturação que atingiu os 500 milhões de dólares. Em 2017, foi recrutado pelo Grupo Globo para liderar a Globoplay, o serviço de streaming que representava a maior aposta da empresa em duas décadas. Dois anos depois, a Amazon Prime Video convidou-o para dirigir as operações no Brasil, um mercado que cresceu de 300 mil para mais de dez milhões de assinantes em 2,5 anos, e, posteriormente, para dirigir toda a região que cobre América Latina, Brasil, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Este ano, aceitou regressar a Portugal para comandar a aventura da LiveModeTV.