Centenas de convidados reuniram-se na manhã de São João, em frente à emblemática Livraria Lello, para a abertura oficial do Babell, Cidade-Livro, o novo festival internacional dedicado aos livros, às ideias e ao diálogo entre culturas.
A cerimónia inaugural contou com a presença do Presidente da República, António José Seguro, do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, do secretário de Estado da Cultura e do presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, entre outras personalidades dos meios cultural, académico e diplomático.
O evento assinalou igualmente a apresentação pública do novo espaço ampliado da Livraria Lello, concebido pelo arquiteto Álvaro Siza Vieira, com desenho de Ana Aragão, numa intervenção que reforça a dimensão cultural e contemporânea daquela que é uma das mais reconhecidas instituições literárias portuguesas. A expansão estabelece uma ligação em altura ao edifício histórico, multiplicando a área dedicada à programação cultural e à criação artística.
A inauguração deste novo espaço foi marcada pela abertura da exposição “A4”, do prestigiado artista e ativista chinês Ai Weiwei. Concebida especialmente para a Livraria Lello, a instalação homónima constitui a peça central da mostra e aborda os temas da censura e da liberdade de expressão. O título remete para as folhas de papel em branco de formato A4 que, em vários países, se tornaram símbolo de protesto silencioso contra as restrições à liberdade de pensamento e de expressão.
Entre os novos espaços destaca-se também o Jardim do Pensamento, concebido para acolher encontros, debates e momentos de reflexão, reforçando a vocação da Livraria Lello como centro de criação, partilha de conhecimento e difusão cultural.
Na sua intervenção, o Presidente da República sublinhou a importância da leitura enquanto instrumento de cidadania, conhecimento e liberdade, destacando o papel da cultura na construção de sociedades mais abertas, críticas e democráticas. Paulo Rangel salientou a relevância da diplomacia cultural e do diálogo entre povos num contexto internacional cada vez mais desafiante, enquanto Margarida Balseiro Lopes enalteceu a capacidade do Porto para afirmar a cultura como motor de desenvolvimento, inovação e projeção internacional.
A cerimónia contou ainda com a participação de Aurora Pedro Pinto, proprietária da Livraria Lello e principal impulsionadora da transformação da histórica instituição num dos mais relevantes projetos culturais portugueses da atualidade. No seu discurso, destacou a ambição de fazer do Babell um espaço permanente de encontro entre escritores, pensadores, artistas e leitores de todo o mundo, contribuindo para posicionar o Porto como uma referência internacional da literatura, da reflexão e do pensamento contemporâneo.
Entre intervenções artísticas, homenagens ao poder transformador dos livros e momentos de celebração da palavra, a sessão inaugural reafirmou a literatura como ponte entre culturas, gerações e diferentes formas de ver o mundo. O arranque do Babell representa, assim, um novo capítulo na história cultural da cidade, fortalecendo a ligação entre património, inovação e criação contemporânea.
Ao longo dos próximos dias, o festival reunirá algumas das mais destacadas vozes da literatura e do pensamento mundial, consolidando a vocação do Porto como palco privilegiado para o debate de ideias e para a celebração da cultura enquanto espaço de liberdade, encontro e transformação.