Independentemente do palmarés do Festival de Cannes 2026, que atribuiu o Prémio de Melhor Realização a La Bola Negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi − e todos sabemos que os prémios em Cannes tanto podem confirmar uma evidência como parecer o resultado de uma sessão espírita entre jurados, convicções muito francesas e humores de fim de festival −, há uma vitória que Espanha já tinha conquistado antes mesmo da cerimónia de encerramento: tornou-se o cinema de que toda a gente fala no meio cinematográfico.
Não por extravagância folclórica, nem por golpe de marketing, nem por ter levado à Croisette uma estrela internacional para sorrir durante três minutos e desaparecer num iate. Pelo contrário: também lá estiveram, entre os rostos mais conhecidos, Penélope Cruz, Javier Bardem e Lola Dueñas, que distribuíram simpatia e talento. Mas o essencial não estava apenas no brilho das presenças. Estava nos filmes. Espanha chegou ao Festival de Cannes 2026 com três títulos na Competição Oficial: Autoficción − ou Amarga Navidad −, de Pedro Almodóvar; El Ser Querido, de Rodrigo Sorogoyen; e La Bola Negra, de Javier Calvo e Javier Ambrossi, os inevitáveis Los Javis. Três filmes, três gerações, três temperaturas criativas, três maneiras diferentes de dizer ao cinema europeu: estamos aqui, estamos vivos, estamos a filmar com ambição e não viemos apenas passear pela Croisette e fingir que isto é tudo muito natural.
