O Serralves em Festa arrancou em grande esta sexta-feira, dando início à celebração do seu 20.º aniversário com milhares de visitantes a encherem os jardins e espaços da Fundação. O ambiente foi de verdadeira festa, marcado pela arte, pela música, pela convivência e pela descoberta.
A abertura contou com uma intervenção especial dos alunos finalistas de Arquitetura, coordenada pelo arquiteto Nuno Valentim, que proporcionou um momento simbólico e inspirador na Porta de entrada de Serralves para dar início a 50 horas consecutivas de programação cultural.
Ao longo do dia, centenas de pessoas percorreram os jardins de Serralves, desfrutando dos espaços verdes, fazendo piqueniques em família ou entre amigos e saboreando as delícias das várias barraquinhas espalhadas pelo recinto. Entre as propostas gastronómicas, destacou-se o Pé na Horta, que conquistou os visitantes com os seus refrescantes cocktails de melancia, perfeitos para acompanhar uma tarde soalheira.
Um dos momentos mais surpreendentes foi o espetáculo da companhia TENET, que convidou o público a mudar o olhar sobre a realidade e a explorar a forma como o mundo se transforma quando observado de outro ângulo. Num espetáculo de grande formato e acessível a todas as idades, celebrou-se a diversidade de perceções e pontos de vista. Afinal, uma vez invertida a perspetiva, nada volta a ser exatamente igual.
Para quem procurava uma experiência mais contemplativa após um dia de trabalho, os YOU ORIGIN proporcionaram um momento de serenidade e introspeção. Nesta composição conceptual de Stephen O’Malley, dez cornes alpinos, distribuídos em cinco pares de músicos, criaram um campo sonoro envolvente e ressonante. As longas notas circulares, inspiradas na série natural dos harmónicos, estabeleceram uma ligação profunda entre a música, a paisagem, os sons do ambiente, a luz e as mudanças do clima, conduzindo o público a uma experiência emocional intensa de prazer, reflexão e contemplação.
À noite, o parque encheu-se para receber os Mão Morta. A lendária banda bracarense de rock avant-garde subiu ao palco com a intensidade, a irreverência e a poesia crua . Com uma presença cénica marcante e uma sonoridade única, Adolfo Luxúria Canibal, Miguel Pedro, António Rafael, Vasco Vaz, Ruca Lacerda e Rui Leal, acompanhados pelos convidados João Barradas e Mariana Vilanova, revisitaram quatro décadas de uma carreira exemplar, marcada pelo inconformismo, pela criatividade e pela constante ligação entre música, literatura e arte.