Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar, a primeira longa-metragem de ficção do realizador José Filipe Costa, chega aos cinemas precisamente a dia 28 de maio. Estrear um filme sobre os últimos dias de Salazar no centenário simbólico desse primeiro empurrão para o abismo autoritário é quase demasiado perfeito. Tão perfeito que, se a estreia em si fosse ficção, alguém diria: “Não acham um bocadinho óbvio?”
Mas a História portuguesa tem destas coisas. Gosta de coincidências, de ironias, de cadeiras perigosas e de fantasmas que continuam a acordar e a atormentar-nos. Salazar morreu em 1970, mas continua disponível para papéis principais, secundários, aparições especiais e participações de luxo no imaginário nacional. Agora regressou em dose dupla. Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar, de José Filipe Costa, e O Velho Salazar, de João Botelho, recentemente apresentado no IndieLisboa, são dois filmes muito diferentes, mas unidos pela mesma inquietação: por que raio continuamos a falar tanto de Salazar?

