O artista plástico, arquiteto, pintor e ilustrador João Abel Manta morreu na sexta-feira aos 98 anos. A sua obra vai desde arquitetura ao desenho, azulejo, à pintura, ilustração, pintura e cenografia.
Premiada a nível nacional e internacional, a obra de João Abel Manta é sobretudo conhecida pelas caricaturas de intervenção política, durante a ditadura de Salazar, e pelas imagens que fazem parte do imaginário coletivo do 25 de Abril, que incluem os cartazes de apoio ao Movimento das Forças Armadas e de saudação da democracia.

Nascido em 1928, numa família de pintores – Abel Manta e Clementina Carneiro de Moura -, João Abel Manta formou-se em Arquitetura, em 1951, tendo-se dedicado à pintura, cerâmica, tapeçaria, mosaico, ilustração, artes gráficas e cartoon.
Teve uma importante atividade no domínio da arquitetura a partir do início da década de 1950, que abandonaria progressivamente em favor das artes plásticas, destacando-se como o maior cartoonista português e um dos melhores ilustradores portugueses das décadas de 1960 e 1970.
João Abel Manta comprometeu desde cedo o seu desenho com as convicções políticas da oposição democrática.
O ativismo político valer-lhe-ia a prisão em fevereiro de 1948, com duas semanas passadas em Caxias, e uma ficha nos arquivos” da polícia política da ditadura.
Nos anos anteriores e posteriores ao 25 de Abril de 1974, João Abel Manta publicou regularmente, em jornais de grande tiragem, tais como Diário de Lisboa, Diário de Notícias, O Jornal e Jornal de Letras, tendo sido o primeiro diretor de arte deste último.
Desenvolveu também trabalhos críticos relacionados com a situação político-social portuguesa e tem dois álbuns editados: “Cartoons, 1969-1975” (1975) e “Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar”, obra lançada originalmente em 1978, pelas Edições O Jornal.
Foi várias vezes distinguido ao longo da carreira, nomeadamente pela Fundação Calouste Gulbenkian (1961), com a Medalha de Prata na Exposição Internacional de Artes Gráficas (Leipzig, 1965) e com o Prémio de Ilustração na Exposição de Artes Gráficas de Leipzig (1975).
No contexto da arte pública, fez intervenções nos pavimentos de mosaico para arruamentos na Praça dos Restauradores, em Lisboa, e na Figueira da Foz, enquanto na azulejaria concebeu em Lisboa, entre outros, o revestimento do mural da Avenida Calouste Gulbenkian, aplicado em 1980.
João Abel Manta foi ainda autor da série de painéis cerâmicos para o Teatro Gil Vicente (1955), em Coimbra, e dos azulejos para os edifícios da Associação Académica de Coimbra (1959).