A estreia de O Nome acontece esta quarta-feira, integrada no FITEI 2026, com apresentações de 13 a 17 de maio.
Nuno Cardoso explica que escolheu regressar a Jon Fosse por sentir que a obra dialoga profundamente com o presente: “Fosse é o silêncio ensurdecedor. As pessoas têm cada vez mais dificuldade em dizer. É isso que estamos a viver no núcleo das famílias.”
O encenador descreve também o regresso ao palco como um lugar essencial da sua vida e da própria democracia cultural: “Voltar ao palco é como beber um copo de água do Luso. É o sítio onde gosto de estar. O palco é um exercício de democracia.”
Em O Nome, Jon Fosse conduz o público por uma narrativa marcada por silêncios, tensões e diálogos fragmentados, revelando as fragilidades das relações humanas e a dificuldade de comunicação no seio familiar. A peça acompanha o regresso de uma jovem grávida à casa dos pais, acompanhada pelo namorado, ambos emocional e financeiramente fragilizados. O reencontro familiar expõe ressentimentos, distâncias afetivas e a incapacidade das personagens criarem verdadeiros laços de empatia.
Mais de vinte e cinco anos após a estreia original, O Nome mantém-se uma referência incontornável da dramaturgia contemporânea pela forma crua e poética como retrata as fraturas humanas e sociais.
A encenação e dramaturgia são assinadas por Nuno Cardoso, com tradução de Francisco Frazão e Solveig Nordlund. A cenografia é de F. Ribeiro, o desenho de luz de Pedro Vieira de Carvalho, os figurinos de Ruben Ponto, o vídeo de Luís Porto e a sonoplastia de João Félix.
O elenco reúne Diana Sá, João Cravo Cardoso, Maria Leite, Mário Santos, Sérgio Sá Cunha e Sofia Santos Silva.
O espetáculo é uma coprodução do Teatro do Bolhão, FITEI 2026, Teatro Aveirense e Teatro das Figuras.
O 49.º FITEI decorre entre 13 e 24 de maio de 2026, em várias cidades do Norte do país, afirmando-se como um espaço de reflexão artística sobre o presente.
Sob o tema “colapso e esperança”, o festival propõe uma programação atenta às tensões do mundo contemporâneo, cruzando teatro, política e memória coletiva.
Entre os destaques da programação encontram-se: Suplicantes, de Sara Barros Leitão, inspirado na tragédia de Ésquilo e centrado na questão das migrações na Europa; FMI KAPA, criação do Saaraci Coletivo Teatral inspirada no universo de José Mário Branco, que encerra o festival.
Ao longo de 16 espetáculos, o FITEI apresentará estreias nacionais e absolutas, reforçando o seu papel como plataforma de criação contemporânea e espaço de debate sobre temas urgentes da atualidade.