Por causa do que o Concílio Vaticano II significou em matéria de abertura da Igreja, são muitos os que têm estabelecido semelhanças entre o Sínodo dos Bispos – que nesta quarta-feira, 4, se iniciou, em Roma – e a reunião magna convocada por João XXIII no final de 1961 e inaugurada no ano seguinte. E até há quem veja na vigília ecuménica do fim de semana passado – que juntou em oração representantes de 70 países e de várias confissões na Praça de São Pedro – algumas parecenças com o célebre Discurso da Lua, proferido de improviso por João XXIII, perante a multidão de fiéis, a 11 de outubro de 1962, após a primeira sessão do concílio. Surpreendeu o tom coloquial e, ontem como hoje, estava uma enorme lua cheia. “Caros filhinhos, ouço as vossas vozes. A minha é apenas mais uma, mas condensa a voz do mundo inteiro. Todo o mundo está aqui representado. Parece que até a Lua está presa esta noite – observai-a lá no alto, está contemplando este espetáculo. É que encerramos uma grande jornada de paz”, disse então João XXIII.
“Depois disto, a Igreja não vai poder sera mesma.Se não passarde uma operaçãode cosmética,o sínodo será uma enorme desilusão”, diz o teólogoJuan Ambrosio
Não será, portanto, exagero afirmar que o sentimento de esperança trazido pelo Concílio Vaticano II, o acontecimento mais importante da Igreja Católica no século XX, também existe agora na XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. “Não tem o estatuto de concílio, mas pode ter esse efeito”, argumenta Juan Ambrosio, professor na Faculdade de Teologia da Universidade Católica, em Lisboa. E explica: “O que está em causa não é tanto uma renovação da teologia, dos dogmas, mas uma renovação da atitude da Igreja e também dos seus gestos, da sua prática. O que pode sair do Sínodo é ousar novos caminhos, uma Igreja nova, sem estar em rutura com a Igreja tradicional.” A decorrer até 29 de outubro, a assembleia geral terá cinco módulos e não será aberta ao público, embora no final se aguarde uma síntese do que foi discutido. Porém, ainda não serão as decisões finais porque, em outubro de 2024, haverá uma segunda assembleia.
