“A nova Administração Trump arrisca-se a transformar a geopolítica num negócio em que ganha quem paga melhor, e isso vai favorecer as autocracias e debilitar o campo democrático. A mentalidade transacional do Presidente americano e a sua atração pelos autocratas podem contribuir para a maior erosão da ordem internacional e o regresso definitivo da lei do mais forte, transformando a comunidade internacional numa selva em que todos vão estar em guerra com todos.” Lido agora, face aos recentes acontecimentos que abalam o mundo, quase todos concordam com o diagnóstico. A verdade é que esta foi uma “previsão” feita há precisamente um ano, na edição da VISÃO que saiu na semana em que Donald Trump voltou a tomar posse como Presidente dos Estados Unidos da América, num ensaio assinado por António Costa Silva, um dos mais argutos conhecedores da economia e da geopolítica mundial, com uma longa carreira no setor energético internacional.

Nesse mesmo ensaio, publicado em janeiro de 2025, Costa Silva assinalava ainda, com algum carácter premonitório, que Trump iria fazer regressar a Doutrina Monroe, “que vê o hemisfério ocidental como uma área de influência dos EUA, que querem também afirmar-se como uma potência do Ártico, tendo em conta os recursos minerais enormes desta área do mundo e a sua importância na reconfiguração das rotas marítimas, que advém do desaparecimento de grandes massas de gelo com os efeitos do aquecimento global”. E avisava que “a posição unida da Europa no apoio à Dinamarca e ao Canadá pode ser importante para defender com firmeza os princípios que norteiam a ordem internacional se o mundo se confrontar com uma deriva imperialista e discricionária americana”.
Um ano depois, António Costa Silva está de regresso às páginas da VISÃO, num novo ensaio em que não só demonstra que tinha razão nas previsões que fez em 2025, como indica os próximos passos que a Europa pode dar para se afirmar neste novo mundo em que vivemos. O seu ensaio é uma das peças centrais de um dossier mais vasto sobre a Presidência Trump, que faz a capa da edição. Com o objetivo de sempre: olhar para o presente a pensar no futuro.