Neste momento põe-se tudo em causa – da conta da luz ao papel higiénico. A Escola de Música do Conservatório de Lisboa está sem dinheiro. Não admira: segundo a sua diretora, Ana Mafalda Pernão, desde o ano passado caíram menos 54% de euros nos seus cofres. “Mais de metade é muito e ainda por cima sem justificação.”
Com faturas para pagar e a conta bancária quase a zeros, a direção optou por uma medida de desespero. A semana passada, mandou uma carta aos pais dos alunos e aos amigos da escola a pedir ajuda, disponibiliando no site um NIB a quem queira contribuir nem que seja com um cêntimo (0781 0112 0112 0012 6492 6). Até há uma hora, os donativos já chegavam aos mil euros.
A campanha não tem final previsto. “Durará até este problema estar resolvido. Depois teremos de partir para outro tipo de iniciativa. Para o dia 16, por exemplo, estamos a organizar um concerto de orquestra e esperamos arrecadar mais algum dinheiro”, diz a diretora, cansada de interpelar o Ministério da Educação sem receber uma resposta conveniente. A Associação de Pais vai reunir amanhã para debater este assunto.
Em março deste ano, o edifício da escola estava a cair de podre, com problemas graves de infiltrações naturais numa construção anterior ao terramoto e que teve a sua última grande recuperação em 1940. Depois de muito bater o pé, inclusivamente com manifestações musicais, a escola conseguiu que o ministério libertasse 43 mil euros, dinheiro que deu para tapar os buracos, fazer uma revisão ao telhado e recuperar o pátio.
Mas, em maio, houve novo choque. Quando na escola se preparavam para receber cerca de 162 mil euros para o orçamento de gestão (um valor já inferior aos 180 mil de 2013), só chegaram perto de 90 mil (menos 43 por cento). E se o habitual era terem 60 mil para despesas de manutenção, este ano foi-lhes atribuído quatro mil. “Temos 67 pianos que precisam de muito tratamento para os conservarmos em condições, há cordas para consertar, o edifício para manter, a rede informática para atualizar, a luz, a água, as canetas, o papel, o papel higiénico…”